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terça-feira, 30 de março de 2010

Amazônia já está 'internacionalizada', dizem ONGs

O debate sobre o futuro da Amazônia já está internacionalizado seja pela importância que ganhou a questão do aquecimento global ou pela atuação de multinacionais na região, dizem ambientalistas entrevistados pela BBC Brasil.

"O Brasil se incomoda porque sabe que não tem soberania plena. Sabe que se quiser desmatar tudo, vai ter problemas (com a comunidade internacional)", afirma o pesquisador Paulo Barreto, do Imazon.

Ele cita como o exemplo o fato de qualquer acesso a crédito para projetos na Amazônia depender hoje de estudos sobre os impactos ambientais.

Além disso, diz Barreto, o próprio governo brasileiro tem interesse em mostrar ao mundo que é capaz de fazer uma boa gestão da Amazônia para conseguir levar adiante sua ambição de desempenhar um papel maior no cenário internacional.

"O Brasil quer se colocar como um ator importante em relação a temas internacionais e a Amazônia é uma questão crítica para o país ter esse posicionamento estratégico. A gente tem que demonstrar que cuida da Amazônia."

Paulo Adário, do Greenpeace, argumenta que a economia da Amazônia é tão ou mais globalizada do que a de outras regiões já que os principais produtos da região - soja, madeira e carne - são commodities no mercado internacional.

"Só que quando esses setores vão para a mídia, eles não falam das multinacionais, falam das ONGs", afirma Adário, ressaltando o fato de as maiores empresas da soja serem estrangeiras - Cargill, Bunge, ADM e Dreyfuss.

Barreto, do Imazon, diz não acreditar que essa internacionalização se traduza numa ocupação física, pelo menos não por enquanto.

"Não vejo nenhum plano de ocupar a Amazônia, pelo menos não no curto e médio prazo. Mas se o Brasil não cuidar da Amazônia, com uma política clara, imagino que possa haver no longo prazo."

Para os dois pesquisadores, a polêmica em torno da compra de terras por estrangeiros na Amazônia e a preocupação quanto a ingerências internacionais na região são riscos marginais que estão sendo extrapolados pelo governo.

A lei atual restringe a aquisição ou exploração de terras por estrangeiros na chamada faixa de fronteira, faixa de 150 km de largura, paralela à linha divisória terrestre do território nacional.

Uma empresa com sede no Brasil e capital estrangeiro, porém, não estaria sujeita a essas restrições desde que 51% do capital pertença a brasileiros.

Por Carolina Glycerio, http://www.bbc.co.uk/portuguese

Amazônia pode ficar '10ºC mais quente em 2070'

A Amazônia pode chegar a 2070 registrando temperaturas 10ºC acima do que registrava um século antes, sugerem os indicadores de um projeto de projeção climática para o planeta nos próximos anos.


O projeto, envolvendo a BBC, a Universidade de Oxford e o Conselho de Pesquisas de Meio-Ambiente britânico, indica que a área deve ser uma das mais afetadas pela mudança climática no futuro, junto com os desertos centrais da China e da África e as regiões gélidas do Pólo Norte.

Em relação aos anos 1970, o aumento de temperatura na porção norte e nordeste do Brasil pode superar os 2ºC em 2020, apontam os indicadores.

Detalhes da iniciativa, que utilizou computadores pessoais de 250 mil voluntários para processar seus dados, foram revelados em um programa exibido pela BBC nesta sexta-feira à noite.

Supercomputador

Para processar as informações do projeto, os organizadores contaram com o voluntarismo de 250 mil pessoas em 171 países, incluindo Suriname, Suazilândia e Togo.

Cada um obteve um pacote de softwares que operou automaticamente por três meses em seus computadores quando eles não estivessem sendo usados.

Os dados eram enviados para um servidor central, e inseridos em modelos desenvolvidos pelo Escritório Meteorológico da Grã-Bretanha.

"Quando começamos, achávamos que estaríamos satisfeitos com 10 mil pessoas fazendo parte", disse o coordenador do projeto, Nick Faull, da Universidade de Oxford.

Ele explicou que, juntos, os computadores têm mais capacidade de processamento que apenas um supercomputador.

"A capacidade de processamento de cada computador pessoal processando um prognóstico específico é maior do que os supercomputadores disponíveis para as pesquisas climáticas", ele disse.

"Também é fantástico envolver o público nas pesquisas sobre o clima."

Por BBC Brasil, http://www.bbc.co.uk/portuguese

Amazônia pode 'morrer' em 50 anos, diz estudo

A floresta amazônica poderia "morrer" em 50 anos por causa de mudanças climáticas provocadas pelo homem, sugere um estudo internacional publicado na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences.


Segundo o estudo, muitos dos sistemas climáticos do mundo poderão passar por uma série de mudanças repentinas neste século, por causa de ações provocadas pela atividade humana.

Os pesquisadores argumentam que a sociedade não se deve deixar enganar por uma falsa sensação de segurança dada pela idéia de que as mudanças climáticas serão um processo lento e gradual.

"Nossas conclusões sugerem que uma variedade de elementos prestes a 'virar' poderiam chegar ao seu ponto crítico ainda neste século, por causa das mudanças climáticas induzidas pelo homem", disse o professor Tim Lenton, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, que liderou o estudo de mais de 50 cientistas.

Segundo os cientistas, alterações mínimas de temperatura já seriam suficientes para levar a mudanças dramáticas e até causar o colapso repentino de um sistema ecológico.

O estudo diz que os sistemas mais ameaçados seriam a camada de gelo do mar Ártico e da Groelândia, em um ranking preparado pelos cientistas, que inclui os nove sistemas mais ameaçados pelo aquecimento global.

A floresta amazônica ocupa a oitava e penúltima colocação no ranking.

Chuva

Segundo o estudo, boa parte da chuva que cai sobre a bacia amazônica é reciclada e, portanto, simulações de desmatamento na região sugerem uma diminuição de 20% a 30% das chuvas, o aumento da estação seca e também o aumento das temperaturas durante o verão.

Combinados, esses elementos tornariam mais difícil o restabelecimento da floresta.

A morte gradual das árvores da floresta amazônica já foi prevista caso as temperaturas subam entre 3ºC e 4ºC, por conta das secas que este aumento causaria.

A frequência de queimadas e a fragmentação da floresta, causada por atividade humana, também poderiam contribuir para este desequilíbrio.

Segundo o estudo, só as mudanças na exploração da terra já poderiam, potencialmente, levar a floresta amzônica a um ponto crítico.

A maioria dos cientistas que estudam mudanças climáticas acredita que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas já começou a afetar alguns aspectos de nosso clima.

Por BBC Brasil, http://www.bbc.co.uk/portuguese

Cientistas descobrem novas espécies de anfíbios e répteis no Equador

Um grupo de cientistas americanos e equatorianos descobriu dezenas de novas espécies de animais na costa oeste do Equador.

Entre as novas espécies estão as cobras "sugadora de caracóis" e "sugadora de lesmas". Um exemplar similar à primeira só é encontrado no Peru, enquanto que uma espécie parecida com a segunda só foi vista no Panamá, bem mais ao norte.

Nas várias expedições que realizou na região desde 2007, o grupo registrou 6 mil espécies na floresta tropical da região e tirou 25 mil fotos.

O líder da pesquisa, Paul Hamilton, da organização Reptile & Amphibian Ecology International, explicou que o objetivo da expedição era identificar novas espécies e criar recomendações de como preservá-las.

A expedição também descobriu 30 novas espécies de anfíbios anuros de florestas tropicais. Esses anfíbios se diferem por não jogarem seus ovos na água, onde os girinos nasceriam e se desenvolveriam. As espécies descobertas depositam seus ovos em árvores.




Essa cobra "sugadora de caracóis" é uma das novas espécies de animais descobertas no Equador por cientistas americanos e locais.



O grupo descobriu 30 novas espécies de anfíbios anuros, como esse acima do gênero Pristimantis, que se distingue pela cor vermelha nos olhos.




Esse inseto do gênero Xylospinodes, conhecido como bicho-pau, foi uma das quatro espécies desse animal descobertas no Equador.

Fonte: http://verde.br.msn.com

Fotógrafo usa microscópio eletrônico para gerar imagens em 3D



Fotógrafo usa microscópio eletrônico para gerar imagens em 3D e milhões de vezes ampliadas de criaturas como esta mosca.




Esse microscópio eletrônico é muito mais potente que um microscópio óptico para registrar imagens como a desta aranha-saltadora.



O fotógrafo escolheu registrar os insetos, como a pulga acima, porque "o nível de detalhe em seus minúsculos exoesqueletos é simplesmente lindo".




Fotógrafo usa microscópio eletrônico para gerar imagens em 3D e milhões de vezes ampliadas de criaturas como esta mosca.

Fotografo BBC Brasil/Steve Gschmeissner / Science Photo Library

domingo, 28 de março de 2010

Amazônia será vitrine ambiental na Copa 2014, diz Al Gore

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Prêmio Nobel da paz Al Gore afirmou, nesta sexta-feira, que a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, poderá ser uma oportunidade para o País ser uma vitrine para as questões ambientais.

"O Brasil será uma vitrine quando a Copa do Mundo vier aqui para Manaus. Será um bom momento para já ter o aquário terminado", disse, referindo-se ao projeto de criação de um aquário de água doce na capital manauara. "Espero que algumas dessas empresas representadas aqui possam por a mão no bolso e ajudar".

A palestra de Al Gore, com o tema "A importância da conservação da Amazônia para deter o aquecimento global e as mudanças climáticas" foi o principal destaque da programação de hoje do Fórum Internacional de Sustentabilidade, que será realizado até amanhã em Manaus, com a presença de cerca de 300 líderes empresariais.

Voz poderosa

Em sua fala, Al Gore ressaltou a "voz poderosa" do Brasil nas discussões sobre o meio ambiente, em escala global. "O Brasil tem, de longe, a maior floresta do mundo, e uma voz bastante ouvida".

E afirmou que talvez seja preciso que os debates voltem ao país para que se tenha um acordo definitivo entre as nações. "Pode acontecer de o Brasil sediar de novo a reunião crítica para a decisão final, que se esperava que acontecesse em Copenhague", disse, sobre o encontro realizado na Dinamarca no ano passado, que terminou sem acordo entre países ricos e em desenvolvimento.

Al Gore destacou ainda a importância de se proteger o meio ambiente e também a renda das pessoas que vivem na Amazônia. "Elas podem acabar sofrendo se não fizermos o que é certo para o meio ambiente", afirmou, para completar: "A Amazônia é um grande tesouro. Protegida, ela protegerá o futuro do Brasil".

Longo prazo

O ex-vice-presidente dos EUA ressaltou também a importância em se pensar em soluções de longo prazo para o meio ambiente.

"Nos negócios, na política, no governo, na mídia, na cultura, houve uma tendência destrutiva de termos um pensamento de curto prazo. Mas, quando falamos da sobrevivência do nosso futuro, é difícil falarmos em curto prazo. Alguns investimentos levarão tempo para amadurecer".

O palestrante disse que os empresários "já ouviram muitas vezes" este discurso, mas defendeu sua importância. "Estou feliz e impressionado de ver que vocês estão tendo essa reunião para se desdobrar sobre como podemos vencer esses desafios".


Cláudia Andrade
http://invertia.terra.com.br

Pampa: Um bioma ameaçado

O método de agressão mais discutido é a monocultura da celulose. O plantio de árvores exóticas causa grande impacto na biodiversidade pampeana.

“Meu canto crioulo é igual a pasto nativo, que brota com força e se estende na Pampa”. Infelizmente, o bonito verso da música “Regional”, da dupla César Oliveira & Rogério Melo, cantores nativistas naturais da fronteira do Rio Grande do Sul, está ficando cada vez mais longe da realidade. O pasto nativo está perdendo cada vez mais espaço para as plantações de árvores exóticas, principalmente o eucalipto e a acácia negra. A vegetação rasteira típica da campanha já não se estende sobre a Pampa. A bela paisagem típica do gaúcho, com amplas planícies, compostas ainda de coxilhas, areais e capões de mato, com uma rica fauna silvestre, está sob ameaça.

O Bioma Pampa

A palavra Pampa provém do dialeto indígena quéchua, língua utilizada por diversas tribos da Ameria Latina, e designa a região pastoril composta pelas planícies e coxilhas. Esta área se estende por 750 mil quilômetros quadrados e abrange a Argentina, nas províncias de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé, Entre Rios e Corrientes; todo o território Uruguaio; e por fim, toda a metade sul e a região noroeste do Rio Grande do Sul, uma área que corresponde a cerca de 63% do território Rio-Grandense.

As principais características do bioma são as vastas planícies cobertas por ervas, arbustos e gramíneas – mais de 450 tipos de gramas, como a forquilha e o capim-mimoso, são naturais da Pampa; as coxilhas – pequenos morros – ao longo do relevo; banhados ricos em biodiversidade; areais e zonas de mata próximo aos cursos dos rios. A homogeneidade dos campos é apenas aparente: o bioma possui mais de três mil tipos de plantas, muitas delas ainda não descritas pela ciência. A fauna pampeana também é riquíssima: composta por, no mínimo, 385 aves, como pica-paus, quero-queros, anús-pretos e emas – também chamadas de nhandús, ameaçdos de extinção; e 90 tipos de mamíferos, como o veado-campeiro, tatus, guaraxains, jaguatiricas, entre muitos outros.

Ameaças

A bela paisagem dos campos sulinos, porém, está sob grande ameaça. Segundo estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a pedido do Ministério do Meio Ambiente, atualmente, dos 40% da área de vegetação original restante, menos de 1% está localizado em reservas.

O método de agressão mais discutido é a monocultura da celulose. O plantio de árvores exóticas causa grande impacto na biodiversidade pampeana. O jornalista ambiental Victor Bachetta enumera alguns dos diversos efeitos ambientais causados pela silvicultura. “A compactação e impermeabilização do solo são conseqüências do plantio excessivo do eucalipto. O esgotamento da água também é efeito dessa cultura, já que cada árvore consome 30l de água por dia”. Além disso, a fauna é afetada pelas grandes plantações de árvores exóticas. “Os animais perdem seu habitat, que é o campo aberto com suas peculiaridades. Ainda tem o problema das pragas que surgem com a implantação de elementos não-originais do bioma”, explica o jornalista.

Bachetta palestra em favor da mesma causa que muitos gaúchos, mas sua língua é espanhola. O jornalista especializado em meio ambiente é uruguaio e explica que a llanura pampiana na Banda Oriental também sofre com a monocultura da celulose. “A economia ganadera uruguaia sofre com isso também. A pecuária é afetada, visto que entre as árvores plantadas não nasce o pasto nativo que serve de alimento ao gado. A produção de leite está seriamente afetada. O número de produtores de leite caiu 15% entre os anos de 2005 e 2009”, relata Bachetta. Victor explica que os latifúndios uruguaios estão sendo comprados por empresas estrangeiras em larga escala, para a produção do eucalipto. “A legislação original, montada na década de 80, previa que apenas áreas impróprias para outras culturas e para a pecuária seriam usadas na silvicultura. Porém, os grupos que compram as terras buscam as áreas mais férteis. Outra questão: no primeiro acordo, constava que apenas 50.000 hectares seriam utilizados no plantio e hoje essa área chega a 949.000h”.

A falácia do “reflorestamento”

O coordenador do Departamento de Ecologia da UFRGS, Professor Valério Patta Pillar, alerta para os mitos que são divulgados sobre a plantação de eucaliptos pelo Rio Grande do Sul. “Existe esse pensamento incondicional sobre o benefício do plantio de árvores. Mas acontece que nem sempre traz benefícios – ainda mais quando se trata de plantar uma árvore estranha ao local em questão. No caso do consumo de carbono, por exemplo: as pradarias do Pampa consomem muito mais gás carbônico que o eucalipto, pois o CO2 fica retido sob o solo”, explica o professor. Outra razão muito alegada pelas empresas da indústria da celulose seria o reflorestamento da determinada área. “Existem estudos que comprovam que esta região sempre foi composta por campos. Claro, ocorrem matas em alguns locais. Mas a predominância sempre foi das gramíneas, arbustos, vegetação rasteira composta por pastagens. Não é à toa que a principal atividade econômica desta região sempre foi a criação de gado – o ambiente é propício a isso. Portanto, o “reflorestamento” alegado pelas empresas é uma completa falácia, um atentado à nossa inteligência. Ao criar florestas em um ambiente onde elas nunca existiram, nada é preservado, e sim ocorrem apenas prejuízos para o bioma, a curto e longo prazo” esclarece Pillar.

Impactos sociais e focos de resistência

Outro fator apresentado pelos especialistas diz respeito ao impacto sócio-cultural causado pela mudança da paisagem do Pampa e sua atividade econômica. “Primeiramente, existe uma farsa também na questão dos empregos gerados pela indústria da celulose. As condições de trabalho são praticamente inexistentes. Com a predominância dessas plantações, faltam outras oportunidades de emprego no meio rural. Isto provoca o êxodo, que conseqüentemente gera outros problemas sociais”, explica o jornalista Victor Bachetta. Já o professor da UFRGS Valério Pillar apresenta outro ponto de vista na mesma questão. “O povo gaúcho tem sua origem ligada ao campo aberto, às atividades rurais estabelecidas nesta região. Portanto, quando ele desce do cavalo e cede sua terra para a plantação de maciços (áreas de grande extensão e muito cerradas), ele está abrindo mão de um estilo de vida, ocorre um movimento inverso à sua natureza. A adaptação a este novo modelo é muito difícil. O peão que está acostumado a lidar com o gado dificilmente se manterá em uma atividade como, por exemplo, matar formigas – praga típica do eucalipto. Nunca foi feito um estudo, mas tenho certeza que as regiões onde esta atividade está amplamente consolidada enfrenta uma série de problemas sociais”, afirma Pillar.

Por esse motivo, a identificação com a terra é um dos principais esteios da resistência ao modelo econômico da celulose. “Através da identidade de um povo, pode-se pensar que há como vencer esta batalha”, afirma o jornalista uruguaio. “Há também a questão das propriedades familiares, em que o desligamento com a terra não é simples, há uma tradição histórica em jogo”, diz Pillar. Em outros países, outro foco de resistência é a presença indígena. No Chile, onde as culturas da indústria da celulosa já estão consolidadas, a tribo Mapuche trava uma luta ferrenha para não ceder sua área. “Até conselhos feitos somente em épocas de guerras já foram organizados na tribo”, lembra Bachetta. “Muitos grupos lutam contra esse sistema, mas separados. Creio que, com união, podemos avançar em idéias para salvar nosso meio-ambiente”, diz o jornalista.

Já em relação à economia da região, Pillar sugere uma forma de preservação aliada a uma atividade econômica muito tradicional: pecuária. “A criação de gado, como já foi dito, sempre foi a atividade econômica mais exercida na região da Pampa. A ganaderia foi praticada por aqui durante três séculos, sempre mantendo as características do bioma. É a maneira mais compatível, economicamente, de manter o bioma preservado”, pensa o ecologista.

* Gabriel Marquez Gonçalves é estudante do 6º semestre de jornalismo do Instituto Porto Alegre (IPA). Esta reportagem foi feita sob supervisão da professora de jornalismo Lisete Ghigghi

Fonte: http://www.ecoagencia.com.br

Al Gore critica Estados Unidos nas questões ambientais

O ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, disse na tarde desta sexta-feira, em Manaus, que a lei que limita a emissão de gases do efeito estufa pode ser aprovada ainda este ano pelo Senado norte-americano. A lei, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados, está emperrada desde junho de 2009.

Apesar de ter a maioria do congresso, o partido do presidente Barak Obama enfrenta dificuldades regionais vindas do setor econômico. "Nos EUA, vence as eleições quem angaria mais fundos para ter maior espaço na televisão. E são as empresas que bancam as campanhas as que mais sofrerão impacto com essas mudanças", disse Al Gore durante a palestra que fez no Tropical Hotel de Manaus, durante o Fórum Internacional de Sustentabilidade.

Apesar da dificuldade, Gore se disse otimista. "Antes de vir pra cá, eu estava conversando com o líder da Câmara, um dos líderes do nosso congresso. E amanhã, eu estarei com o líder do Senado. E todos eles, incluindo o presidente Obama, expressaram a determinação de aprovar a lei".

A uma platéia estimada em 560 espectadores, entre eles 300 empresários, o ex-vice-presidente respondeu a perguntas diretas sobre a falta de uma postura mais contundente por parte do governo Obama.

"O que falta para o governo Obama assumir a liderança da questão ambiental mundial?", perguntou um internauta através do Terra. De maneira simpática e sem rodeios, Al Gore disse que "essa pergunta não é apenas boa e dura, mas necessária. Por aí eu percebo que era o elemento que deveria ter coberto melhor na minha palestra. É óbvio. Por que os EUA não agiram!".

Sobre a criação de um fundo mundial internacional, que poderia bancar as ações voltadas para a preservação da Amazônia, o norte-americano, Prêmio Nobel da Paz de 2007, foi convergente e auto-crítico. "No acordo político alcançado em Copenhague, isso não é mais controvertido. É um elemento chave do acordo ao qual o mundo está se dirigindo. E nos EUA, existem muitos lobistas que tentam influenciar positivamente essa questão, assim como existem grupos que fazem o mesmo em outras nações. Esse fundo seria uma solução central para este problema".


Fonte: http://invertia.terra.com.br

Mais de 3 mil casos de dengue são registrados no RS

Mais de 3 mil casos de dengue foram registrados no Rio Grande do Sul desde o início do ano até esta sexta-feira (26), segundo informações da Secretaria Estadual da Saúde. De acordo com boletim divulgado pelo governo, foram notificados 3.070 casos da doença.

Segundo a Secretaria, Ijuí (RS) é o município que tem o maior número de casos, com 2.493 notificações. A cidade de Santa Rosa (RS) registrou 97 casos. As outras 480 notificações estão distribuídas em outros municípios do estado.

(Fonte: G1)

Selo para produtos da sociobiodiversidade deve sair em 2010

Está em andamento a elaboração de um selo para produtos da sociobiodiversidade, que deverá ficar pronto em 2010. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) pelo gerente de Agroextrativismo da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, do Ministério do Meio Ambiente - MMA, Júlio César Gomes Pinho, durante apresentação dos resultados de trabalhos que vinculam a conservação e o uso sustentável da biodiversidade aos Territórios da Cidadania, no II Salão dos Territórios, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

O selo, que vai garantir que os produtos seguiram critérios ambientais e sociais, tem o objetivo de aumentar o diálogo entre extrativistas e o setor empresarial e é parte das metas para 2010 do Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade - PNPSB.

Em comemoração ao Ano Internacional da Biodiversidade, o Ministério do Meio Ambiente apresentou um resumo do PNPSB e suas metas para 2010 e também os instrumentos utilizados no Monitoramento da Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros, como um exemplo de ferramenta para as políticas públicas de gestão da biodiversidade. Participaram da apresentação representantes do MMA, do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA e da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab.

"Hoje eu vivo com mais dignidade, tenho renda e participo da cadeia produtiva do babaçu". Essas foram as palavras de Maria Domingas, quebradeira de coco do Vale do Itapecuru, no Maranhão, em resposta às perspectivas do Secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Egon Krakhecke, sobre a importância do PNPSB e da Política de Garantia de Preços Mínimos para produtos da Biodiversidadade - PGPM Bio: "Por cinco séculos, povos e comunidades tradicionais ficaram às margens das políticas públicas, mas o cenário está se modificado e em um futuro próximo poderemos avaliar o significado destas iniciativas, trabalhando para que se transformem em um processo consistente e duradouro", disse o secretário.

Sobre os resultados de 2009, José Adelmar Batista, coordenador de Diversificação Econômica da Secretaria de Agricultura Familiar, do MDA apresentou um resumo da construção do Plano de Produtos da Sociobiodiversidade, lançado em abril de 2009, e dados como o investimento de R$ 5,8 milhões em 29 projetos extrativistas, a emissão de 4650 Declarações de Aptidão ao PRONAF (DAP) até dezembro de 2009 e o investimento de R$ 2,4 milhões na cadeia produtivas da castanha-do-brasil e do babaçu. Os dois produtos foram priorizados na primeira fase do Plano em virtude de sua relevância socioeconômica e ambiental. Juntas as duas cadeias produtivas beneficiam cerca de 500 mil famílias de extrativistas e quebradeiras de coco de 237 municípios em 10 estados brasileiros.

Para Claudia Schafhauser Oliveira, técnica em Sensoriamento Remoto do Departamento de Conservação da Biodiversidade, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, o grande avanço do Monitoramento da Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros e sua relação com o PNPSB foi trazer informações que ajudam a subsidiar políticas públicas voltadas ao uso sustentável dos biomas, estimulando a adoção de alternativas que garantam o desenvolvimento sustentável. Foram apresentados os dados já divulgados pelo MMA do desmatamento do Cerrado e da Caatinga no período de 2002-2008 e a expectativa de lançamento dos dados de Pampa, Pantanal e Mata Atlântica até abril.

O Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade foi criado para promover a conservação e o uso sustentável da biodiversidade e garantir alternativas de geração de renda para as comunidades rurais, por meio do acesso às políticas de crédito, assistência técnica e extensão rural, a mercados e aos instrumentos e comercialização e à Política de Garantia de Preços Mínimos, que busca a garantia de sustentação de preços de alguns produtos extrativistas como a castanha-do-brasil, amêndoa de babaçu, borracha natural, o fruto do açaí, do pequi, a cera da carnaúba e a fibra da piaçava.

O II Salão Nacional dos Territórios Rurais - Territórios da Cidadania em Foco, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), terminou nesta quinta-feira e buscou ser um espaço de expressão do protagonismo dos atores sociais dos territórios rurais brasileiros.

(Fonte: MMA)

Cana-de-açúcar vira matéria prima para fabricação de garrafa PET

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou nesta quinta-feira (25), no Rio de Janeiro, do lançamento da primeira garrafa PET feita a partir da cana-de-açúcar. Devido à origem parcialmente vegetal (30% à base da cana), a embalagem contribui para a diminuição de até 25% nas emissões de CO² geradas pela Coca-Cola, autora da iniciativa, e pode ajudar a impulsionar o setor sucro-alcooleiro no Brasil.

Presente ao evento de lançamento, realizado no Jardim Botânico, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que parabenizou a iniciativa. "Espero que outras empresas sigam iniciativas como esta, reduzindo o uso de materiais de origem fóssil e investindo em embalagens recicláveis".

Minc garantiu ainda que o país está preparado para a expansão do etanol sem prejudicar a produção de alimentos. "Não haverá plantio de cana em áreas destinadas à produção de alimentos", afirmou.

De acordo com a empresa, a nova garrafa tem a comercialização prevista para abril nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Porto Alegre. Inicialmente, a versão ecológica da PET será feita nas embalagens de 500ml e 600 ml.

Sem mudança de propriedades químicas, cor, peso ou aparência em relação ao PET convencional, a PlantBottle, como está sendo chamada a nova embalagem, é 100% reciclável e vai participar da cadeia de reaproveitamento de materiais no País. Hoje, 55% das PETs são recicladas. A expectativa é de que, em 2010, a produção inicial das garrafas PlantBottle resulte na redução do uso de mais de cinco mil barris de petróleo e, até 2020, a produção seja da PET seja feita com 100% da resina de cana.

O Brasil é um dos primeiros mercados a adotar a PlantBottle e há a expectativa de que outros fabricantes e países possam aderir à iniciativa, que em todo o mundo será fabricada com etanol brasileiro.

Segundo os dirigentes da empresa, a cana-de-açúcar utilizada para produzir as garrafas provém de fornecedores auditados, que utilizam essencialmente a irrigação natural (chuva) e a colheita mecânica.

O plástico da embalagem é produzido a partir da reação química de dois componentes: MEG (monoetileno glicol), responsável por 30% de seu peso, e PTA (ácido politereftálico), responsável pelos 70% restantes.

O lançamento da garrafa também está alinhado com a campanha "Consumo Consciente de Embalagens", do Ministério do Meio Ambiente. A campanha oficial tem cunho educacional e sugere atitudes e boas práticas para consumidores e empresas, no sentido do uso cada vez mais racional, consciente e responsável das embalagens.

Compareceram ainda ao lançamento o presidente da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank, e a gerente de Operações do Instituto Akatu, Heloisa Mello.

(Fonte: MMA)

Aquecimento global afetará fortemente a América Latina, diz Banco Mundial

O aquecimento global pode provocar a drástica extinção da floresta amazônica e uma escassez de água que afetará 77 milhões de pessoas na América Latina e Caribe em 2020, segundo um relatório do Banco Mundial apresentado nesta quinta-feira em Lima.

O relatório "Desenvolvimento Mundial 2010: Desenvolvimento e Mudança Climática" adverte que os ecossistemas mais importantes estão sendo ameaçados nas nações latino-americanas e caribenhas.

O Bird destaca que ninguém está imune aos efeitos das variações do clima, mas que os países em desenvolvimento serão mais vulneráveis. Segundo as estimativas, esses países deverão arcar com de 75% a 80% dos custos causados pelos danos provocados pelo fenômeno.

Para os países dessa região, as mudanças climáticas representam "a ameaça de multiplicar as vulnerabilidades, destruindo os progressos conseguidos com tanto esforço e prejudicando fortemente as perspectivas de desenvolvimento".

Diante desse fenômeno, o Bird declarou que o problema das mudanças climáticas deve ser encarado com urgência e que não poderá ser resolvido se os países não cooperarem em escala mundial para melhorar a eficiência energética, desenvolver tecnologias limpas e ampliar os mecanismos que permitam absorver os gases de efeito estufa para proteger o meio ambiente.

A instituição adverte que os países desenvolvidos devem liderar esses esforços e reduzir abruptamente suas próprias emissões em até 80% até 2050, assim como colocar no mercado novas tecnologias e ajudar a financiar a transição dos países em desenvolvimento rumo à energia limpa.

"O impacto mais desastroso poderá ser a extinção dramática da floresta amazônica e a transformação dessa área em grandes extensões de savana, com graves consequências para o clima da região, e talvez do mundo", informa o documento apresentado pelo colombiano Felipe Jaramillo, diretor regional do BM para Equador, Bolívia, Peru e Venezuela.

O relatório prevê também "o desaparecimento dos Andes, o que modificaria a quantidade de água à disposição de diversos países e provocaria falta d'água a pelo menos 77 milhões de pessoas em 2020".

Para o Banco Mundial, isso representa também uma ameaça para a energia hidrelétrica, fonte de eletricidade dominante em muitos países da América do Sul.

"O aquecimento e a maior acidez dos oceanos podem causar a extinção progressiva dos arrecifes do Caribe, que abrigam aproximadamente 65% das espécies de peixes da bacia", afirma o Bird.

Esses corais, completa, oferecem proteção natural frente às tormentas marítimas e são fundamentais para o turismo.

As mudanças climáticas também provocarão danos no Golfo do México, o que tornará essa costa mais "vulnerável a furacões mais fortes e mais frequentes", completa o estudo.

O órgão multilateral informa que à medida que o planeta esquenta, há mudanças no calendário das chuvas e se multiplicam os episódios extremos, como as secas, inundações e incêndios florestais.

(Fonte: G1)

Cientistas descobrem vulnerabilidade comum nos vírus H1N1 de 1918 e 2009

Pesquisadores americanos descobriram uma vulnerabilidade similar nas cepas do vírus H1N1 responsáveis pelas pandemias de 1918 e de 2009, o que poderá ajudar na elaboração de uma vacina capaz de conter futuras epidemias gripais.

"Esta pesquisa revela uma similaridade inesperada entre duas cepas de vírus responsáveis pelas pandemias de gripe", indicou o doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID), neste trabalho divulgado nesta quarta-feira (24).

"Este avanço nos permite compreender melhor a maneira como esses vírus pandêmicos evoluem entre duas temporadas de gripe e fornece indicações para o desenvolvimento de vacinas que permitam desacelerar e, inclusive, impedir sua evolução", acrescentou em um comunicado.

Os pesquisadores do NIAID e do Centro Federal de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) deram a ratos uma injeção de uma vacina produzida a partir de uma cepa inativa de um vírus H1N1 da pandemia de 1918. Depois expuseram esses animais a doses elevadas do vírus H1N1 responsável pela gripe pandêmica de 2009.

Todos os ratos vacinados sobreviveram.

Os cientistas reproduziram depois a experiência com uma vacina com base em uma cepa inativa do vírus H1N1 da pandemia de 2009 e injetaram nos ratos vacinados fortes concentrações do H1N1 de 1918. Mais uma vez, todos ficaram protegidos.

Concluíram assim que uma vacina produzida com uma ou outra cepa do vírus H1N1 de 2009 ou de 1918 permitia aos ratos produzir anticorpos capazes de neutralizar as duas cepas.

"É um resultado surpreendente", considerou o doutor Gary Nabel do NIAID, principal autor do estudo.

"Não esperávamos que estes mesmos anticorpos pudessem ser produzidos contra vírus existentes em períodos tão distantes no tempo", acrescentou.

(Fonte: G1)

Brasil é o 19º país em casos de tuberculose no mundo

O Brasil diminuiu a incidência de casos de tuberculose no país, mas continua entre os 22 países que concentram 80% dos casos do planeta, passando de 18º para 19º colocação, segundo o Ministério da Saúde.

Os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) foram divulgados nesta quarta-feira (24) pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e pelo coordenador do PNCT (Programa Nacional de Controle da Tuberculose), Dráurio Barreira, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose.

Em 2008, ocorreram 70.989 casos novos, contra 72.140, em 2007, reduzindo a taxa de incidência de 38,1 para 37,4 por 100 mil habitantes. Houve queda também nos números da mortalidade. Em 2008, foram 4.735 óbitos por tuberculose, enquanto que em 2007 ocorreram 4.823.

Temporão afirma que os investimentos nas ações de prevenção e controle da tuberculose aumentaram 14 vezes, de 2002 a 2009. No ano passado, o orçamento total foi de US$ 74 milhões, contra US$ 5,2 milhões em 2002. Mas o coordenador do PNCT afirma que há necessidade de esforços, pois a doença ainda é um problema para o governo.

"A doença é um problema nacional. Todos aliaram esforços para o efetivo enfrentamento, e os resultados começam a aparecer", comemora Dráurio Barreira.

(Fonte: Portal R7)

Norovírus: saiba o que é o norovírus e como ele é transmitido

Intoxicação em navios

O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificou por meio de análises em laboratório que os casos de diarreia e vômito que atingiram passageiros de um navio aportado em Búzios (Rio de Janeiro) no início de março foram causados por norovírus.

O laudo foi encaminhado aos órgãos de vigilância em saúde. As análises, realizadas no Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC, utilizaram técnicas de diagnóstico molecular, baseadas na identificação do material genético do vírus nas amostras.

Norovírus

Apesar de ser pouco conhecido do público, este vírus transmitido por água e alimentos contaminados é um importante causador de gastroenterites não-bacterianas no Brasil.

A transmissão de pessoa para pessoa ocorre com facilidade. Diferentemente de outros vírus causadores de gastroenterites (como o rotavírus), o norovírus afeta com frequência indivíduos adultos.

Os norovírus estão muito associados a surtos em locais confinados ou de contato próximo, numa mesma família, em navios, asilos e ambientes hospitalares, por exemplo.

"Os norovírus hoje são um problema mundial, por sua rápida transmissão e difícil controle. Eles são responsáveis por 99,9% dos surtos de gastroenterites em navios," afirma o virologista José Paulo Gagliardi Leite, chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz.

Banco de dados genético

Nos casos analisados, foi identificado o norovírus do subtipo GII.4 - o mais comum no mundo.

No momento, está sendo realizado o sequenciamento genético do vírus encontrado nas amostras para depósito no GenBank, um banco de dados que reúne sequências genéticas de organismos depositadas por cientistas de todo o mundo.

"Como a variabilidade genética dos norovírus é muito grande, quando fazemos o depósito das sequências genéticas estamos contribuindo, com os dados relativos ao Brasil, para montar um grande panorama de quais vírus ocasionam surtos no mundo", afirma a virologista Marize Miagostovich.

Transmissão do norovírus

O norovírus tem alta infecciosidade: apenas uma partícula viral é necessária para infectar uma pessoa. O contato com o aerossol do vômito de uma pessoa infectada, por exemplo, pode ser suficiente para a transmissão.

Além disso, tem alta resistência, permanecendo em superfícies com as quais uma pessoa infectada teve contato, o que torna o compartilhamento de espaços e objetos um problema.

A facilidade de transmissão do vírus dificulta muito o controle de surtos. Nestes casos, deve-se buscar a fonte da contaminação e combatê-la.

"O principal risco é a manipulação dos alimentos", informa Marize. Ela esclarece que a lavagem das mãos é fundamental para evitar a transmissão do norovírus.

Gastroenterites virais

As gastroenterites virais são transmitidas por meio de água contaminada, alimentos manipulados por pessoas infectadas ou contato direto com o material fecal de uma pessoa doente.

Existem diversos vírus responsáveis pela etiologia das gastroenterites, com destaque para rotavírus A, norovírus, adenovírus entéricos e astrovírus. Os sintomas mais comuns são diarreia, vômito, febre e dores abdominais e de cabeça.

A recomendação central é evitar a desidratação e procurar auxílio médico. A gravidade pode variar de pessoa para pessoa, mas, em geral, os sintomas costumam desaparecer depois de dois ou três dias.

Vacina contra o norovírus

Frente à imensa dificuldade no controle da transmissão, o desenvolvimento de uma vacina surge como uma possível solução. Estudos têm sido desenvolvidos nos Estados Unidos com vacinas candidatas.

"Como existe alta variabilidade genética dos norovírus, o desenvolvimento de uma vacina se torna complexo. Talvez, a saída seja o desenvolvimento de uma vacina atualizada periodicamente, acompanhando o monitoramento dos vírus circulantes, como acontece hoje com a vacina da gripe", pondera José Paulo Leite.

No caso dos norovírus, dados sobre a ocorrência de casos assintomáticos ainda são escassos e, como os norovírus circulantes têm alta variabilidade genética, o período de imunidade de uma pessoa à infecção é baixo, já que as reinfecções provavelmente se darão por outros tipos de norovírus.

Vírus recente

O Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC trabalha intensamente na investigação dos norovírus - que a ciência descobriu recentemente, apenas na década de 1970.

Em 2009, os pesquisadores desenvolveram uma metodologia inovadora - a primeira capaz de detectar o norovírus em alimentos, e não em mostras clínicas de pacientes.

No mesmo ano, o laboratório recebeu 13 Laboratórios Centrais (Lacens) do país para o Curso de coleta, acondicionamento e transporte de amostras de agentes para pesquisa de vírus ambientais.

Assim, os Lacens foram capacitados para, ao receberem amostras suspeitas de norovírus em suas áreas de atuação, estarem aptos a enviá-las para análise no laboratório.

Orientações científicas

Convidado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o laboratório participou da iniciativa que resultou no documento Vírus em alimentos: orientações científicas para apoio a ações de gerenciamento de riscos.

"O encontro gerou orientações importantes sobre vírus presentes em alimentos, inclusive sobre norovírus. As orientações serão fundamentais para a definição de marcos legais, por exemplo", comenta José Paulo Leite, único especialista da América Latina convidado a compor o grupo de 21 especialistas convocado pela FAO e OMS.

Não apenas no Brasil, a lacuna de legislação sobre o tema permanece um desafio. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) formou um grupo de trabalho do CODEX sobre higiene de alimentos, que o laboratório foi convidado a integrar.

Preocupado em fomentar o debate científico sobre tema, o laboratório está organizando o I Simpósio Latino Americano de Virologia Ambiental, que acontece de 5 a 7 de maio, no Rio de Janeiro.

Grandes nomes da Virologia nacional e internacional participarão de conferências e debates. Entre eles está Jan Vinjé, do Centro de Controle de Doenças, dos Estados Unidos (CDC na sigla em inglês), um dos maiores especialistas do mundo em norovírus.

"Não há registro de eventos na área de virologia ambiental nos países da América Latina. Esta iniciativa é pioneira", descreve Marize, organizadora do simpósio.

Fonte : Instituto Oswaldo Cruz

Refrigerante sem açúcar pode diminuir funções dos rins

Um estudo norte-americano, conduzido pela organização Nurses Health Study, conclui que consumir dois ou mais copos dos chamados refrigerantes zero ou diet ? sem adição de açúcar ? pode oferecer maiores riscos de problemas aos rins. O resultado aponta que as mulheres que beberam tal quantidade tiveram queda de 30% das suas funções renais durante o período do estudo, que foi apresentado em encontro da Sociedade Americana de Nefrologia, em São Diego (EUA).

O estudo partiu de questionários alimentares feitos em 1984, 1986 e 1990 com mais de 3.200 mulheres. As participantes avaliadas tiveram bebidas açucaradas retiradas do cardápio. Em seguida, as mulheres responderam sobre a frequência com que ingeriam as bebidas: se menos de uma vez por menos; de uma a quatro vezes por mês; duas a seis vezes por semana; uma vez ao dia e duas vezes ao dia ou com maior frequência.

Após uma comparação entre a função dos rins das mulheres em 1989 e 2000, observou-se que 11,4% das mulheres participantes apresentaram diminuição das funções renais em 30% ou mais, sendo que as que apresentaram mais problemas foram as que beberam dois ou mais copos de refrigerante sem açúcar por dia.

http://www.minhavida.com.br

Sementes turbinam a saúde e a dieta

Se há alguma cartilha dos principais mandamentos da dieta, um deles certamente é não ficar longos intervalos do dia sem comer. O ideal é fazer pequenos lanchinhos de três em três horas, além das refeições principais, para ajudar o metabolismo acelerar e queimar mais calorias. Uma ótima alternativa para esses intervalos é investir no consumo de sementes oleoginosas, como as de girassol, abóbora, linhaça e gergelim.

A razão para apostar nessas turma, que tem cara de comida de passarinho, é simples. Além de tapear a fome, elas trazem um bem enorme ao organismo. "Elas são ricas em ácidos graxos monoinsaturados que auxiliam o controle dos triglicérides, do colesterol total, do colesterol ruim (LDL), diminuindo o risco de desenvolvimento de doenças do coração", explica a nutricionista Patrícia Bertolucci, de São Paulo.

A presença de poderosos antioxidantes, como vitamina E, selênio e manganês, que varrem os radicais livres produzidos pelos organismos relaciona a atividade das sementes oleoginosas ao menor risco de desenvolver doenças crônico-degenerativas, como o Mal de Alzheimer.

As sementes também são ricas em magnésio, que participa de inúmeros processos em nosso organismo, como a absorção adequada de cálcio nos ossos, contração muscular, ação anti-inflamatória e regulação da pressão arterial. Confira a seguir como fazer o melhor uso delas:

Gergelim combate o intestino preso
A semente é boa fonte de manganês, cálcio, cobre, magnésio, ferro, fósforo, vitamina B1, zinco, proteínas, vitaminas A e E e fibras ricas em lignanas, que previnem o aumento de colesterol.
Cerca de 50% de sua composição é de gordura, do tipo insaturada, entre elas, a lecitina, que alguns estudos já mostram ter efeitos benéficos na regulação dos níveis de colesterol e triglicérides no sangue. Além dessa gordura também auxiliar na lubrificação do intestino, que junto com as fibras vão deixar a prisão de ventre bem longe.

"Todo esse conjunto auxilia na saúde cardiovascular e intestinal e na prevenção do câncer e envelhecimento precoce, dentre outras doenças", explica a nutricionista Patrícia Davidson, do Rio de Janeiro.

Suas fibras insolúveis também são ótimas para controlar as taxas de glicemia, o açúcar do sangue, afastando males como a diabetes. E ainda proporciona maior duração da saciedade, o que vai fazer com que a pessoa sinta menos fome. O ideal é consumir de 1 a 2 colheres de sobremesa por dia que vão girar em torno de 80 calorias cada uma e sem prejudicar a dieta.

"As sementes podem ser utilizadas diretamente de alimentos que contenham gergelim como pães integrais, bolacha e bolos. Também podem ser torradas ou polvilhadas sobre os alimentos como arroz, iogurte, suco e salada. O óleo de gergelim, que como a semente é ótima fonte de gordura insaturada e vitaminas, pode regar os alimentos", acrescenta Patrícia.

Girassol contra a pressão alta
Tem uma quantidade boa de proteínas, gordura monoinsaturada - que é de ótima qualidade para o organismo, vitamina E, fibras e de arginina, um aminoácido importante porque é substrato para o óxido nítrico, substância que relaxa os vasos sanguíneos, evitando a elevação da pressão sanguinea.

"O consumo de girassol auxilia no controle da tensão pré-mentrual, favorece a recuperação de processos inflamatórios, auxilia na mobilização do ferro para a síntese da hemoglobina, adrenalina e a formação dos tecidos conjuntivos", aponta a nutricionista Fernanda Pisciolaro, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

É uma semente que pode ser consumida assada, onde seu sabor será acentuado. Ou pode ser consumida em forma de farinha. "Mas não asse por muito tempo, nem em temperatura elevada para que suas propriedades sejam perdidas", recomenda Patrícia Davidson. A ingestão pode ficar em 2 colheres de sopa, mas não existe uma recomendação específica de consumo. Cada 100 gramas leva 584 calorias.

Linhaça protege o coração
Contém lignana, que é um composto fitoquímico que pode atuar na prevenção do câncer de mama e, por apresentar uma estrutura química similar ao estrógeno, pode ajudar a prevenir os sintomas da menopausa.

Traz os ácidos graxos ômega 3 e ômega 6, gorduras que se destaca como um protetor do coração, já que é um antioxidante com potente ação contra a formação de placas nas artérias, além de reforçar o sistema imunológico, reduzir inflamações, atuar na redução do colesterol total e triglicérides e ainda retardar a coagulação sanguínea.

"A linhaça está carregada de fibras solúveis e insolúveis que além de regular o trânsito intestinal prevenindo o câncer de cólon, se destacam por controlar a absorção de glicose e colesterol no intestino", diz Patrícia Bertolucci. A semente também apresenta diversas vitaminas e minerais: B1, B2, C, E; caroteno e os minerais ferro, zinco, potássio, magnésio, fósforo e cálcio.

Todos os benefícios da linhaça se potencializam quando a semente é moída ou triturada, pois como a casca da semente é muito dura, sua digestão é comprometida podendo passar direto pelo trato gastrointestinal, reduzindo a absorção de seus nutrientes. Após moída, a semente deve ser mantida sob refrigeração e longe da luz, para evitar a oxidação das gorduras. Pode ser utilizada no complemento de inúmeras preparações: pães, bolos, biscoitos, cereais e bebidas, e até adicionadas a sucos, saladas, sobremesas, iogurtes e sopas.

Semente de abóbora afasta o colesterol
É uma semente cheia de potássio - mineral capaz de auxiliar no controle da pressão arterial. É rica em fibra, que funciona bem contra a prisão de ventre, e vitamina A, boa para os olhos por prevenir doenças como degeneração macular.

Além disso, apresenta alto teor de ácidos graxos essenciais, zinco e fitoesterol, que é uma importante substância no combate ao colesterol. "O que acontece é que ele substitui o colesterol no local de absorção e esse colesterol vai ser excretado e seus níveis circulantes diminuirão no organismo", diz a nutricionista Patrícia Davidson.

Além de ser opção de petisco de fim de tarde, uma outra maneira de aproveitar as qualidades da semente é triturá-la, adicionando-a na forma de farinha em diversas preparações. Experimente salpicá-la na salada de frutas, batê-la com sucos naturais e incorporá-la em saladas de folhas ou em massas de tortas.

Fonte: http://www.minhavida.com.br

Cientistas inventam aparelho que dessaliniza pequenas porções de água

Cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram um aparelho capaz de transformar pequenas quantidades de água do mar em água potável graças a uma bateria, e de forma muito mais simples que os métodos de dessalinização existentes, publica a revista "Nature".

As técnicas de dessalinização usadas atualmente requerem um alto consumo energético e só são eficientes quando envolvem grandes quantidades de água. Por isso, é difícil utilizá-las em regiões afetadas pela pobreza ou por desastres naturais.

O aparelho, desenvolvido por cientistas do MIT liderados por Jongyoon Han, funciona mediante um fenômeno conhecido como "polarização por concentração de íons". Esse processo se produz quando uma corrente de íons circula através de um nanocanal que vai selecionando os íons.

O nanocanal se situa entre dois microcanais por onde circula a água salgada e, quando se aplica uma voltagem ao nanocanal, os íons se concentram em um extremo do nanocanal e se esvaziam no extremo oposto.

Em consequência desse processo, se repelem os íons salinos de água marinha próximos ao nanocanal.

Ao transformar um dos microcanais em dois canais próximos à zona de repulsão, apenas a água dessalinizada, que não tem carga iônica alguma, pode atravessar a zona carregada e passar assim a outro canal destinado à água potável.

O método permite eliminar os sais e as partículas de maior tamanho, como as células, os vírus e microorganismos, com tanta eficácia quanto as mais modernas usinas de dessalinização. (Fonte: Folha Online)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Coca-Cola é acusada de poluição ambiental na Índia

A Coca-Cola foi acusada pelo governo do estado indiano de Kerala de ser responsável pela poluição da água e do meio ambiente por causa de uma fábrica engarrafadora no sul do país. Segundo as autoridades locais, a empresa deverá pagar US$ 47 milhões em indenização.

O governo de Kerala afirmou ter aceitado as avaliações de um comitê que investigou a gigante das bebidas e recomendou uma multa de 2,16 trilhões de rúpias. O pedido de indenização cobre as perdas na agricultura, poluição das águas e prejuízos da saúde não especificados entre 1999 e 2004.

O comitê estatal determinou que a fábrica engarrafadora de Palakkad, que foi fechada em 2005 depois de protestos de ativistas e residentes, causou sérios danos ao meio ambiente com a poluição de águas subterrâneas.

A Coca-Cola indiana rejeita as acusações e afirma que o comitê não conseguiu provar que a fábrica provocou danos ambientais. A empresa negou as recomendações do comitê, assinalando que qualquer reclamação deveria ser levada à justiça.

Fonte: G1

Outono será mais quente do que média histórica em grande parte do país

Começou às 14h32 deste sábado (20) o outono, a estação de transição entre o verão e o inverno. E por estar entre essas estações, de acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), o outono tem características tanto do verão quanto do inverno.

A boa notícia para essa estação é a redução das chuvas em grande parte do país. Nas áreas serranas das regiões Sul e Sudeste, no entanto, a previsão é de maior frequência de nevoeiros e registros de geadas.

“Quanto às chuvas, podemos dividir o país em três grandes regiões. Em todo o centro, incluindo o sul da Região Norte, o Sudeste, e o Centro-oeste, a chuva estará dentro das médias histórias, ou seja, a previsão é de menos chuva do que registramos no verão, mas mais do que na estação seca, que é o inverno. Já no Sul, a chuva deve ficar entre normal e acima da média. No Nordeste e norte do Norte, exceto Bahia que se encaixa na previsão do centro do país, a chuva deve ficar abaixo da média esperada para essa época do ano", diz ao G1 a meteorologista Priscila Farias, do Cptec/Inpe.

Em todo o país, exceto na Região Sul, as temperaturas estarão acima da média histórica para o período. "Apesar das temperaturas mais elevadas, estamos entrando em uma estação em que é comum a passagem de massas de ar um pouco mais frias. Eventualmente, isso pode causar pequenas quedas de temperatura.", afirma Priscila.

Nas Regiões Sul, Sudeste e parte da Região Centro-Oeste do Brasil, as temperaturas devem estar mais amenas devido à entrada de massas de ar frio, com temperaturas mínimas que variam entre 12ºC a 18ºC. Nas mesmas áreas, as máximas vão oscilar entre 18ºC e 28ºC.

Nas Regiões Norte e Nordeste, ainda de acordo com o Cptec/Inpe, as temperaturas serão mais homogêneas. A mínima varia em torno de 22ºC, e a máxima entre 30ºC e 32ºC.

(Fonte: G1)

Peça a Nestlé que pare de destruir as florestas da Indonésia

A Nestlé compra óleo de dendê para seus chocolates da empresa Sinar Mas, que destrói a Floresta da Indonésia dendezeiros para plantar eucalipto e para o Produzir papel. A sobrevivência de comunidades locais e dos Orangotangos, nativos da Floresta, está ameaçada. Participe.
Dê só uma olhada:

* A Nestlé pediu para que o YouTube tirasse nosso vídeo da
web, mas, como muita gente já tinha repostado, ele começou a
pipocar em diversas contas ficou impossível eliminá-lo do ar.
Até agora, mais de 600 mil pessoas já assistiram ao vídeo.

http://greenpeace.org.br/kitkat/

segunda-feira, 22 de março de 2010

O mundo não sabe usar a água!

A OMS – Organização Mundial da Saúde garante: cerca de 50 litros de água por dia é mais do que suficiente para garantir a higiene e o bem-estar de uma pessoa, mas tem gente em todos os cantos do mundo gastando mais – muito mais! – do que isso.

Os campeões na falta de consciência são os canadenses, que gastam até 600 litros de água, por dia. Ou seja, doze vezes mais do que a OMS recomenda. O dado assusta e pior ainda é saber que o mesmo desperdício de água se repete em diversos países: os EUA, por exemplo, ocupam a segunda posição do ranking, gastando 575 litros/dia e, em terceiro, está a Austrália, que gasta 495 litros/dia, por pessoa.

O Brasil está um pouco melhor “na fita” e aparece em 12º no ranking, por usar 187 litros/dia, por pessoa. Ainda assim, o consumo de água no país é mais do que o triplo sugerido pela OMS. E, vale lembrar, o fato de ser um país em desenvolvimento contribui para esse resultado: a população brasileira possui uma renda média inferior a dos canadenses, o que quer dizer que há grandes chances das pessoas, aqui, gastarem menos água, apenas, por falta de dinheiro e não por excesso de consciência ambiental.

A última posição do ranking é ocupada por Moçambique, que disputa a colocação com vários outros países da África. Quem acha que isso acontece porque os africanos são mais conscientes do que o resto do mundo, engana-se. A população desses países não usa o recurso, simplesmente, porque não tem mais água: os moçambicanos gastam 5 litros, por dia (um décimo do que é recomendado pela OMS!), por falta de opção. E eles ainda têm “sorte”, porque 45% da população da África Subsariana já não possui acesso a nenhuma fonte da água limpa.

Será que nós seremos os próximos? Se continuarmos consumindo a água dessa forma irresponsável, é bem possível...


Onde está a água no planeta?

70% do planeta é constituído por água, sendo 97,5% água salgada.
Isso significa que as seis bilhões de pessoas que habitam a Terra podem utilizar, apenas, 2,5% da água do planeta. Fonte: Unesco O planeta possui 2,5% de água doce, mas cerca de 2,2% estão em regiões de difícil acesso, como geleiras e aquíferos. Fonte: Unesco

Apenas 0,03% da água doce do planeta pode ser encontrada em regiões superficiais, como rios e lagos, para o consumo do ser humano. Fonte: Unesco

Por ano, 500 milhões km³ de água são desperdiçados no mundo. Nos países em desenvolvimento, 80% dessa água ainda é tratada de forma incorreta e acaba contaminada por esgoto. Fonte: Pnud

11 países da África e nove do Oriente Médio já não possuem água potável. A situação também é crítica no México, Hungria, Índia, China, Tailândia e Estados Unidos. Fonte: Pnud

Em 50 anos, o consumo de água/habitante do planeta dobrou. De 400 m³/ano, o número cresceu para 800 m³. Fonte: The World Bank

A classe econômica que mais gasta água, por ano, no mundo é a classe alta. São 1.167 m³/habitante. A classe média consome 453 m³/habitante e a baixa, 386 m³/habitante. Fonte: The World Bank

45% da população mundial não tem acesso ao saneamento básico. Os maiores índices estão na Ásia do Sul (65%) e na África Subsariana (65%). Fonte: Pnud

Nos países em desenvolvimento, a cobertura de água potável é de 92% nas áreas urbanas. A porcentagem cai para 72% nas zonas rurais. Fonte: Pnud

Na América Latina, a questão étnica influencia no acesso à água. Na Bolívia, por exemplo, 49% dos indígenas têm acesso a água canalizada, contra 80% dos não indígenas. Fonte: Pnud

Na Etiópia, 97% das despesas do governo são com questões militares; 32%, com questões de saúde e apenas 5%, com água e saneamento. Fonte: Pnud

Atualmente, 60% da população dos países desenvolvidos – como EUA, Inglaterra e França – tem acesso a água potável. Em 2025, o índice cairá para 58%, se não mudarmos nossos hábitos de consumo. Fonte: Pnud

27% da população dos países em desenvolvimento úmidos – como Brasil, China e Chile – tem acesso a água potável. Em 2025, o índice cairá para 24%, se não mudarmos nossos hábitos de consumo. Fonte: Pnud

Hoje, 18% da população dos países em desenvolvimento áridos – como Egito, Nigéria e Tanzânia – tem acesso a água potável. Em 2025, o índice cairá para 15%, se não mudarmos nossos hábitos de consumo. Fonte: Pnud

8,5 milhões de crianças morrem, por ano, no mundo, com diarréia causada pela má qualidade da água, que é contaminada por esgoto. A maior parte está na África Subsariana e na Ásia do Sul. Fonte: Pnud

Cerca de 5,7 milhões de pessoas/ano têm tracoma – doença oftálmica altamente contagiosa, que compromete as córneas e a conjuntiva –, por se banhar com água contaminada por esgoto. Fonte: Pnud

Fonte: Pnud – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
http://planetasustentavel.abril.com.br

CARTA ESCRITA EM 2070 DC

Um exercício de imaginação, que está para além da ficção. Preocupante por vermos que diariamente se desperdiça um recurso tão importante e que não é inesgotável.

Ano 2070. Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém com 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha cinco anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro.. .
Agora usamos toalhas de azeite mineral para limpar a pele.
Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.
Antes, o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje, os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava - pensávamos que a água jamais podia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão Irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes, a quantidade de água indicada como ideal para beber eram oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo e tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado já que as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele provocadas pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
A industria está paralisadas e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-nos em agua potável os salários.
Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele, uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40.
Os cientistas investigam, mas não parece haver solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores e isso ajuda a diminuir o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se também a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos e como conseqüência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo cobra-nos pelo ar que respiramos (137 m3 por dia por habitante adulto). As pessoas que não podem pagar são retiradas das "zonas ventiladas". Estas estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam a energia solar. Embora não sendo de boa qualidade, pode-se respirar. A idade média é de 35 anos.
Em alguns países existem manchas de vegetação normalmente perto de um rio, que é fortemente vigiado pelo exercito. A água tornou-se num tesouro muito cobiçado - mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui não há arvores, porque quase nunca chove e quando se registra precipitação, é chuva ácida. As estações do ano tem sido severamente alteradas pelos testes atômicos.
Advertiam-nos que devíamos cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o saudável que era a gente, ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a água? Então, sinto um nó na garganta; não deixo de me sentir culpado, porque pertenço à geração que foi destruindo o meio ambiente ou simplesmente não levamos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto, quando ainda podíamos fazer algo para salvar ao nosso planeta terra!

Documento extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos" de abril de 2002.

Doenças ambientais aumentam problemas respiratórios

Com a chegada de temperaturas mais amenas e a proximidade de dias frios, portadores de doenças respiratórias como asma brônquica, bronquite crônica e enfisema pulmonar apresentam risco maior de exacerbações e manifestações agudas destes males.

“A junção de fatores como o ar frio e baixa umidade relativa comprometem as defesas do sistema respiratório, além do que a aglomeração de pessoas quando as temperaturas estão mais baixas, favorecem a contaminação por vírus e bactérias e, consequentemente, o aumento da ocorrência de infecções respiratórias”, comenta dr. Ericson Bagatin, presidente da sub-comissão de doenças ocupacionais da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

As chamadas doenças ambientais estão ligadas à poluição atmosférica, englobando, nesse contexto, os problemas ocupacionais, relacionados com os postos de trabalho. De acordo com estudo do Centro de Informações e Pesquisa Atmosférica da Inglaterra que analisou 20 metrópoles com a pior qualidade do ar, São Paulo é a 5º metrópole mais poluída do mundo.

Entre os milhões de mortes anuais que ocorrem em todo o mundo, 800 mil têm como causa em males respiratórios e cardiovasculares originados da poluição ambiental. A cada 10 microgramas por metro cúbico de poluentes acima do recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o risco de câncer de pulmão aumenta em 12% . Em São Paulo, por exemplo, o registro médio é de 20 microgramas por metro cúbico acima deste padrão.

Como estratégias para minimizar os efeitos da poluição, o dr. Ericson sugere a utilização de medidas que possibilitem melhorar a umidade relativa do ar, especialmente nos locais com aglomeração de pessoas e nas residências. A utilização de vaporizadores ou umidificadores em grandes ambientes e de recipientes com água nos lares minimizam esses efeitos. Além disso, tomar as vacinas antigripais e, naqueles com indicação médica para a pneumonia, são estratégias eficazes para a prevenção dessas exacerbações.

Também é da máxima importância ressaltar que a cessação do tabagismo é mandatória, especialmente para aqueles com doenças cardiovasculares e respiratórias, uma vez que cerca de 5.000 substâncias são identificadas no cigarro, parte delas consideradas cancerígenas”, alerta dr. Ericson, que completa: “Os pacientes com idade avançada, portadores de doença pulmonar crônica devem procurar o médico logo que os primeiros sinais de exacerbação se manifestem, a fim de evitar complicações que podem ser fatais”.

A OMS alerta que, se os países adotassem medidas sérias para melhorar a qualidade do ar, cerca de 8 milhões de vidas seriam poupadas em todo o mundo até 2020.

Fonte: http://www.aquidauananews.com/index.php?action=news_view&news_id=161065

Mapa mostra injustiça ambiental e danos à saúde no Brasil

A busca por socializar informações, desse modo, pretende dar visibilidade a denúncias, permitindo o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais e problemas de saúde em diferentes territórios, como cidades, campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras.

Foi lançado o Mapa de Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil. O trabalho, que está disponível na Internet, é resultado de um projeto desenvolvido em conjunto pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase), com o apoio do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde.

O objetivo do mapeamento é apoiar a luta de inúmeras populações e grupos atingidos em seus territórios por projetos e políticas baseadas numa visão de desenvolvimento considerada insustentável e prejudicial à saúde. A busca por socializar informações, desse modo, pretende dar visibilidade a denúncias, permitindo o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais e problemas de saúde em diferentes territórios, como cidades, campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras.

Os organizadores da iniciativa pedem que os visitantes do mapa preencham a página "Fale conosco", dedicada a comentários, críticas, complementações e/ou correções de dados, assim como novas denúncias e sugestões.

“O Mapa é de todas e todos nós. Mas, para que isso se torne uma realidade de fato e de direito, é fundamental que nos apropriemos dele e que, de agora em diante, ele se torne uma construção coletiva a serviço da justiça ambiental, da cidadania, da democracia e contra todo tipo de abuso, de exploração e de racismo”, informam os coordenadores do mapa.

Acessar o mapa
http://www.conflitoambiental.icict.fiocruz.br/

Envolverde - EcoAgência

O desafio de ter desenvolvimento com responsabilidade socioambiental

Com o aumento da população e o consequente consumo dos recursos naturais, é necessário apostar na inovação das empresas, governos e pessoas, afirma engenheiro ambiental.

Nove bilhões de pessoas devem habitar o planeta em 2050 e ter casa, comida e viver de uma forma sustentável é o grande desafio. Esse foi o dado e o problema lançado por Michael Becker, engenheiro ambiental com especialização em recurso hídricos da WWF, na palestra "Responsabilidade Socioambiental e os Dilemas do Desenvolvimento", que aconteceu na manhã deste sábado (20), no último dia do 3º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, em Cuiabá (MT).

O engenheiro lembrou ainda que esse aumento de população resulta, igualmente, em um maior número de pessoas morando em cidades e consumindo recursos naturais. Com isso nasce o desafio de inovação das empresas, dos governos e das pessoas, que está em definir o que é crescimento econômico. "Seria o consumo de recursos naturais e degradação do meio ambiente?", pergunta ele. Michael contraria o senso comum ao afirmar que “essa questão da sustentabilidade não significa problemas, grandes adaptações para a indústria”.

Becker listou ações necessárias para conciliar e fazer esse desenvolvimento com responsabilidade. O WWF incentiva a criação e produção de gado orgânico, por exemplo, e a certificação desta produção. Outra ação realizada pela ong é análise da pegada ecológica de Cuiabá, para quantificar se há ganhos ou redução na degradação na cidade. O moderador Wiilson Bispo, da Agência Envolverde, comentou que na sua opiniao, essa é a questão : produção e consumo. Uma mudanca demosntrada por ele e o indice de felicidade interna, que surgiu há poucos anos no Butão e leva em conta outros fatores, como a preservação ambiental, diferente do produto interno bruto.

Claiton Mello, mestrando em desenvolvimento sustentável e gerente de mobilização social e comunicação na Fundação Banco do Brasil, afirmou que a seu ver a questão atual é o desenvolvimento. E a ideia de muitas pessoas, de muitos empresários, é de que os recursos naturais são ilimitados, de que o desenvolvimento é ilimitado. No campo político, está mantido o status quo. Para ele a ideia de meio ambiente tem que estar nas editorias de política, inseridas neste contexto. É necessário pensar diferente do ponto de vista da ciência, da tecnologia, da política, fazendo um desenvolvimento includente e uma sociedade que reduza o consumo.

Na Fundação Banco do Brasil eles trabalham com o conceito da tecnologia social. Mello afirma que ela compreende produtos e técnicas desenvolvidas em interação com a comunidade, diferente de tecnologia tradicional na qual “um cérebro sozinho pensa em uma caixa preta fechada”, critica ele.

Por Raíssa Genro - Enviada Especial da EcoAgência

Dia Mundial da Água

História do Dia Mundial da Água

Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. Este dia é destinado à discussão sobre os diversos temas relacionados a este importante bem natural, a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água”. Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

No mês em que se comemora o Dia Mundial da Água, é preciso lembrar que, em diversos lugares do planeta, milhares de pessoas já sofrem com a falta desse bem essencial à vida.

A água é um bem precioso e insubstituível. É um elemento da natureza, um recurso natural. Na natureza podemos encontrar a água em três estados: sólido (gelo), gasoso (vapor) e líquido. Ainda classificando a água ela pode ser: doce, salobra e salgada.

Muito se fala em falta de água e que, num futuro próximo, teremos uma guerra em busca de água potável. 97% da água do planeta é água do mar, imprópria para ser bebida ou aproveitada em processos industriais; 1,75% é gelo; 1,24% está em rios subterrâneos, escondidos no interior do planeta. Para o consumo de mais de seis bilhões de pessoas está disponível apenas 0,007% do total de água da Terra.

O Brasil é um país privilegiado, pois aqui estão 11,6% de toda a água doce do planeta. Aqui também se encontram o maior rio do mundo - o Amazonas - e o maior reservatório de água subterrânea do planeta - o Sistema Aqüífero Guarani.

No entanto, essa água está mal distribuída: 70% das águas doces do Brasil estão na Amazônia, onde vivem apenas 7% da população. Essa distribuição irregular deixa apenas 3% de água para o Nordeste. Essa é a causa do problema de escassez de água verificado em alguns pontos do país. Em Pernambuco existem apenas 1.320 litros de água por ano por habitante e no Distrito Federal essa média é de 1.700 litros, quando o recomendado são 2.000 litros.

De acordo com a ONU, o uso da água triplicou de 1950 para cá. Para o futuro, estima-se que nos próximos 20 anos o homem vai usar 40% a mais de água do que usa agora.

Antes que esse dia chegue, imagine só como ficarão as pessoas que, no presente, já carecem de água. É o caso de cerca de 200 milhões de pessoas na África hoje e que, no futuro, podem chegar a 230 milhões sofrendo com a escassez de água.

O que pouca gente se dá conta é de que os problemas relacionados à água estão mais ligados à má administração de recursos do que propriamente da escassez natural. Isto quer dizer que o futuro pode ser um pouquinho melhor, se soubermos utilizar a água.


Dicas para usar, sem desperdiçar!

Escovando os dentes: com a torneira fechada, claro! Você só precisa abrir na hora certa, quando vai enxaguar a boca. Assim, você deixa de desperdiçar até 80 litros de água.

Na hora de lavar a louça, atenção: não deixe a torneira aberta enquanto ensaboa e aproveite para enxaguar toda a louça de uma vez só! Com isso você pode deixar de desperdiçar até 100 litros de água! E, já que não custa lembrar, utilize sabão ou detergente biodegradáveis, que não poluem os rios porque se decompõem facilmente.

Quando for lavar o automóvel, use um balde! Pode não parecer, mas enquanto um banho de mangueira de meia hora consome até 560 litros, usando um balde o gasto não passaria de 40. Viu só a diferença? Os maiores desperdícios a gente nem nota...

Lavar a calçada com a mangueira também é um desperdício. Principalmente para quem aproveita para pôr as fofocas em dia enquanto molha o passeio... Por isso, na hora de lavar a calçada, também é melhor usar um balde, evitando-se um gasto que poderia chegar a 280 litros (quinze minutos de esguicho). Mas o melhor mesmo é usar uma vassoura, que dispensa água!

Banhos longos gastam de 95 a 180 litros de água. Banhos rápidos economizam água e energia. E banhos de banheira usam mais água ainda, cerca de 200 litros.


José Carlos da Fonseca Maciel

Biólogo

sexta-feira, 19 de março de 2010

Doação de sangue deve ser feita antes de se vacinar contra a gripe A

Doem sangue antes de se vacinarem contra a gripe A (H1N1).

O objetivo é evitar que haja falta de sangue durante as etapas de vacinação contra gripe A (H1N1).

A medida é importante porque no período de 48 horas após a vacinação contra a gripe A, é recomendado que se evite doar sangue. Passado esse período, a doação pode ser feita sem restrições.

Vacina e doação de sangue

É importante ressaltar que as pessoas podem ser vacinadas logo depois de doar sangue.

Além disso, normalmente, os estoques dos bancos de sangue tendem a diminuir cerca de 30% em períodos de frio e durante campanhas de vacinação.

Doação de sangue

Para doar sangue é necessário ter entre 18 e 65 anos, pesar no mínimo 50kg, estar descansado e alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação) e ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas que antecedem a doação.

Tel. Banco de Sangue
Hospital Canguçu (53) 3252-1100
Hemocentro Regional de Pelotas (53) 3222-3002

Biólogo
José Carlos da Fonseca Maciel

Conama analisa propostas de regras para agricultura familiar

As propostas de caracterização de atividades da agricultura familiar e de povos tradicionais como de interesse social para a produção e a recuperação de áreas de proteção permanente foram discutidas em reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) realizada na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília. Elas poderão integrar uma das quatro resoluções do Conama para o setor ambiental.

Para a diretora de Meio Ambiente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Rosicleia Santos, a caracterização de atividades da agricultura familiar é importante para diferenciar o pequeno e o grande produtor rural. Ela teme que se as duas atividades forem enquadradas sob as mesmas normas, o agricultor familiar será prejudicado.

“O grande foco para nós, da Contag, é que a agricultura familiar seja declarada de interesse social. No campo, acontece muito conflito por causa disso, principalmente por que cada estado trata de uma forma. A gente propõe que essa resolução seja votada, e seja passada adiante na forma como ela já está”, disse.

A reunião também foi a última com a participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, como presidente do Conama. Ele aproveitou a ocasião para fazer um balanço de suas atividades no comando do conselho.

“O Conama, na nossa gestão de um ano e nove meses, aprovou 16 resoluções muito importantes, ampliando o rigor nas emissões dos veículos, diminuindo o teor de enxofre no diesel, resolvendo a questão de áreas contaminadas, resolução sobre pneus, pilhas e baterias, manejo florestal, essa importante para a Amazônia”, afirmou.

(Fonte: Agência Brasil)

Outono deve ser mais quente em quase todo o Brasil

Os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgaram uma previsão para o outono - que começa no sábado (20).

A estação deve ser mais quente em quase todo o Brasil. Na Região Sul, as temperaturas ficarão dentro da média.

Segundo o Inpe, também deve chover menos que o esperado em grande parte do Norte e do Nordeste.

(Fonte: G1)

Conama aprova resolução que define estágios da vegetação em campos de altitude

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou nesta quarta-feira (17) proposta de resolução que define parâmetros para os estágios sucessionais da vegetação nos campos de altitude. A medida vai facilitar os processos de licenciamento ambiental para exploração de atividades nessas áreas. "Esses parâmetros conjugados vão permitir uma análise mais sólida dos processos de licenciamento", destacou a secretária executiva do Ministério do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante o primeiro dia de reunião do colegiado.

A determinação de regulamentação da lei pelo Conama estava prevista na Lei da Mata Atlântica (11.428/06). Com a regulamentação dos estágios sucessionais dos campos de altitude o conselho conclui a última etapa para que se possa operar a lei, esclareceu João de Deus, diretor de Florestas do MMA. "Fechamos a regulamentação sobre todos os tipos de vegetação da Mata Atlântica com a definição de parâmetros para os estágios sucessionais dos sistemas de florestas, restingas e, agora, campos de altitude". Bons exemplos desse tipo de vegetação são o Pico da Bandeira, na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais; e o Pico das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro.

Em decorrência de desmatamentos ou exploração excessiva, as áreas florestais hoje existentes no Bioma Mata Atlântica se apresentam em diferentes estágios sucessionais de regeneração ou recuperação. As florestas com características primitivas, aquelas que nunca foram exploradas, são raras e representam apenas uma pequena parte dos 7,84% de remanescentes, percentual insuficiente para garantir a conservação da biodiversidade, dos serviços ambientais e dos processos ecológicos no longo prazo.

O valor biológico e ambiental das florestas secundárias ganha ainda mais importância numa situação extrema como é a da Mata Atlântica. As florestas secundárias também podem proporcionar diversos produtos como lenha, folhas, frutos, ervas medicinais e plantas ornamentais. Elas são de extrema importância para o equilíbrio da paisagem e para o desenvolvimento do ecoturismo.

Com a resolução aprovada pelo Conama ficam definidos parâmetros para se avaliar se a vegetação está em estágio primário de conservação ou, no caso de estágio secundário, se está na fase inicial, média ou avançada de regeneração.

Pilhas e baterias - Na reunião desta quarta-feira (17), a primeira de 2010, o Conama também aprovou a revogação do parágrafo único do art. 16 da resolução, referente a pilhas e baterias, garantindo assim a entrada desses materiais importados no Brasil, sem prejuízo da fiscalização do Ibama.

(Fonte: MMA)

Philips lança programa de reciclagem de produtos

Iniciativa vai auxiliar os consumidores no envio de seus produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos da marca Philips e Walita que não tem mais uso para uma central de reciclagem

A Philips, parceria mantenedora do Akatu, lançou no dia 15 de março, o Programa Ciclo Sustentável. O evento de lançamento contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, do diretor-presidente do Akatu, Helio Mattar, do diretor executivo do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), André Vilhena e do presidente da Philips, Marcus Bicudo.

Com o recém lançado Programa, a empresa auxiliará os consumidores a enviar seus produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos da marca Philips e Walita que não tem mais uso para uma central de reciclagem. Assim, será possível mudar o cenário atual em que o lixo eletrônico já representa no mundo 5% do total de lixo descartado e vem crescendo a uma velocidade 3 vezes maior do que o lixo comum.

“O Ciclo Sustentável Philips é uma das melhores notícias em sustentabilidade dos últimos tempos”, afirmou Helio Mattar, diretor-presidente do Akatu durante o evento.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, enfatizou que é necessário trabalhar em conjunto com a iniciativa privada quando se fala em ações de sustentabilidade no Brasil. “A economia tem que entrar no clima”, destacou o ministro. Para ele, esse tipo de ação pressiona o Senado Federal a votar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada este mês na Câmara dos Deputados.

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a empresa fica responsável por fazer a logística reversa. Ou seja, o produto que não tem mais utilidade para o consumidor deverá ser entregue à empresa, que, em parceria com cooperativas de recicladores e catadores, vão desmontar o equipamento e mandar cada parte para a reciclagem, dando a melhor destinação para o material. Para Minc, “o consumo consciente vale mais que mil fiscais”.

Apoio do consumidor
“Ao mesmo tempo em que parte da população dos países emergentes, como é o caso do Brasil, melhora de vida, tendo mais acesso a bens de consumo como televisões, sistemas de som, computadores, telefones celulares, cresce a preocupação com o destino desses equipamentos”, afirma Mattar. Com diversos componentes que contém metais pesados e que são tóxicos, os produtos eletrônicos são muitas vezes descartados incorretamente e abandonados em lixões, contaminando o solo, a água e provocando danos à saúde dos seres humanos.

Ainda segundo Mattar, “se não houver a adequada coleta e reciclagem desses materiais, esses países em desenvolvimento terão que conviver com montanhas de lixo eletrônico tóxico, o que trará graves consequências para o meio ambiente e para a saúde pública”.

O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de descarte de computadores per capita no mundo e, na opinião de Mattar, “os consumidores conscientes podem ajudar a controlar o risco tóxico adquirindo produtos eletrônicos que adotam o ecodesign, como é o caso dos produtos Philips, e descartando adequadamente os resíduos para que sejam recuperados ou reciclados”.

Segundo Marcus Bicudo, "a Philips incentiva seus consumidores a fazer escolhas simples e responsáveis de produtos, buscando os que tenham menor impacto no meio ambiente, desde sua produção até o final da vida útil". Em decorrência disso, em 2008, a Philips mundial fez uma ampla revisão das suas atividades de reciclagem e a empresa no Brasil lançou, no mesmo ano, o programa piloto Ciclo Sustentável Philips, em Manaus.

Após os resultados positivos do programa piloto, a Philips está expandindo o Programa para 25 cidades brasileiras com 40 postos autorizados de coleta. “Com o resultado desta expansão, a Philips estudará a ampliação deste programa para outras cidades”, afirma Bicudo. Dessa forma, os produtos completarão seu ciclo de vida de maneira sustentável, minimizando os impactos ao meio ambiente.

Segundo estudos do Akatu, os consumidores mais conscientes são 33% dos brasileiros e são aqueles que, nas compras, uso e descarte de produtos ou serviços, não consideram apenas o benefício de curto prazo e individual, mas estão também voltados aos benefícios de longo prazo e coletivos.

Para Helio Mattar, “é fundamental o esforço da Philips ao lançar o Ciclo Sustentável Philips, que se inicia antes da produção – na projeção dos produtos – buscando um eco-design que facilite a montagem e desmontagem do produto, usa materiais amigáveis ao meio ambiente e recicláveis, além de auxiliar no descarte, recebendo os equipamentos dos consumidores”.

Para se informar mais sobre o programa entre em contato com o Centro de Informações ao Consumidor pelo telefone 0800-701-0203 ou acesse o site da Philips.

Por Naná Prado, do Instituto Akatu

Consumo consciente é tema de discussão no Fórum Econômico Mundial

Em artigo, Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu, fala sobre o relatório Redesigning Business Value: a Roadmap for Sustainable Consumption. O documento - que discute os desafios, os atuais dilemas e as possíveis soluções para criar um modelo de produção e consumo no qual o consumo sustentável seja a regra, não a exceção - foi lançado novembro de 2009 pelo Fórum Econômico Mundial.

*Por Helio Mattar


Nos últimos dois anos, o Fórum Econômico Mundial liderou várias iniciativas para repensar os modelos de negócio diante do desafio de incorporar a responsabilidade social e a sustentabilidade ao mundo das empresas. O Instituto Akatu foi convidado a participar da iniciativa Sustainability for Tomorrow’s Consumer, há dois anos, e, desde então, vem participando do esforço do Fórum para introduzir o tema do consumo sustentável – trabalhado pelo Akatu como consumo consciente – em novas iniciativas: Driving Sustainable Consumption e Global Agenda Council for Sustainable Consumption.

Um dos resultados dessas iniciativas é o relatório Redesigning Business Value: a Roadmap for Sustainable Consumption (Redesenhando o Valor nos Negócios: um Mapa para o Consumo Sustentável), recém-lançado pelo Fórum Econômico Mundial, após os debates em torno do consumo sustentável realizados por um grupo multidisciplinar, em um evento do Global Redesign Initiative em novembro de 2009. O relatório discute os desafios, os atuais dilemas e as possíveis soluções para criar um modelo de produção e consumo no qual o consumo sustentável seja a regra, não a exceção.

Incentivar o consumo sustentável, segundo o relatório, é mais do que aderir à responsabilidade social. Trata-se, na verdade, de “mudanças fundamentais e necessárias na maneira de fazer negócios e de consumir, o que requer repensar os modelos de negócios, as cadeias de fornecedores e a forma como a sociedade valoriza os bens e serviços”. Fica claro no relatório que, para que a população mundial possa consumir de maneira sustentável, é preciso mudar os padrões de consumo nos países desenvolvidos e criar um novo modelo de prosperidade a longo prazo nos países em desenvolvimento. Nesse sentido, de acordo com o relatório, “alcançar maior prosperidade global dentro de um mundo em que os recursos são escassos é o maior desafio político e econômico do século XXI”.

Segundo o relatório, para construir um futuro em que o consumo é sustentável, será necessário ter:

• Inovação: a sustentabilidade induz a inovação e deveria ser o critério central do design de produtos e serviços, assim como de um novo modelo de negócios;

• Colaboração: serão necessárias novas formas de colaboração entre os parceiros dos negócios, ao longo de toda cadeia produtiva, envolvendo também os principais stakeholders;

• Investimento: é preciso olhar para além das pressões por resultados de curto prazo e focar os investimentos no longo prazo, levando aos investidores a compreensão dos valores que estão em jogo e mostrando a importância de apropriá-los no planejamento de longo prazo;

• Valores: modelos baseados em novos valores são necessários para alinhar os novos comportamentos de forma mais produtiva e inovadora

• Liderança: os líderes em negócios são aqueles que saem na frente, pois vêem que o custo da inação é muito maior do que o custo da ação.

Nesse futuro, diz o relatório, não será suficiente apenas aumentar o número de consumidores “verdes”, ou seja, que tomam decisões de compra baseados nos impactos ambientais ou sociais dos produtos. Será necessária, por parte dos consumidores, uma mudança no estilo de vida e nos hábitos de consumo. Nessa nova economia, “o consumo é desacoplado dos impactos ambientais e sociais negativos, movido por uma combinação de inovação, envolvimento com os valores dos consumidores e custos mais precisos dos produtos. Não é um mundo definido pela escassez e pelo sacrifício, mas pela inovação e por uma nova abundância”.

Durante as discussões que levaram a este relatório ficou claro, como dito acima, que é preciso desacoplar o crescimento econômico do uso de recursos naturais e, ao mesmo tempo, é preciso acoplar o crescimento econômico com o aumento da equidade social.

Uma das características desse novo mundo é que os consumidores serão uma enorme força indutora das mudanças. Segundo o relatório, nesse mundo os consumidores serão “engajados positivamente com os benefícios do consumo sustentável para eles mesmos, suas famílias e suas comunidades. Eles serão empoderados por meio de informações relevantes sobre os produtos no mercado, que terá sido aperfeiçoado com melhores sistemas de medição e plataformas de comunicação mais padronizadas. Os consumidores verão os produtos como uma forma de solução ou como a intensificação de uma experiência, em vez de enxergá-los como produtos que são um fim em si mesmo”.

As várias iniciativas do Fórum Econômico Mundial, que discutem o futuro do consumo e de sua relação com as empresas, frequentemente apontam que um dos principais papéis das empresas é ser uma liderança para influenciar o comportamento do consumidor, educando os consumidores para o consumo consciente.

Uma confirmação do papel das empresas como educadoras de seus colaboradores – e, por conseqüência, dessas pessoas como consumidores – está na pesquisa Estilos Sustentáveis de Vida – Resultados de uma pesquisa com jovens brasileiros, realizada em 2009 pelo Instituto Akatu, em parceria com a Ipsos Public Affairs, como parte brasileira em um projeto global da UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). A pesquisa mapeou a maneira como os jovens, de 18 a 35 anos, percebem as práticas sustentáveis e como as incorporam ao seu dia-a-dia. Segundo os dados da pesquisa, os jovens que trabalham em empresas com mais de 100 funcionários conhecem mais sobre sustentabilidade, responsabilidade social empresarial e mudanças climáticas do que os que trabalham em empresas menores, o que evidencia o papel pedagógico que as maiores empresas tem tido em relação a esses temas.

Nos últimos anos, vem se destacando, entre os trabalhos do Instituto Akatu, a mobilização dos colaboradores de suas empresas parceiras para que pratiquem e disseminem os conceitos e práticas do consumo consciente e sustentabilidade. Esse processo permite que o colaborador internalize, como indivíduo, tais conceitos e práticas, e, por decorrência, possa levá-los a todos os espaços onde atua, incluindo o da empresa, levando-o a trazer novas idéias, consistência e persistência ao esforço e à estratégia de sustentabilidade da própria empresa.

Não é preciso apontar, após os argumentos do relatório do World Economic Fórum, que o posicionamento da empresa como um agente da sustentabilidade será tão mais nítido quanto maior for o engajamento da empresa no papel de educar o consumidor para o consumo consciente, informando-o sobre a importância da sustentabilidade, sobre os esforços da empresa nessa direção, e sobre o papel dos produtos da empresa como contribuição para um mundo mais sustentável.


Instituto Akatu pelo Consumo Consciente

Apague a luz por uma hora e mostre ao mundo que você está a favor do planeta e contra o aquecimento global

Movimento Hora do Planeta 2010, promovido pela WWF, pretende mobilizar comunidade mundial a se manifestar contra o aquecimento global. Ação acontece no sábado, dia 17 de março, entre as 20h30 e 21h30.

Participe você também.

Biólogo
José Carlos da Fonseca Maciel

A proximidade da Cúpula da Terra 2012 e a necessidade de planejamento

Ignacy Sachs, economista e sociólogo polonês, naturalizado francês, é um dos pensadores mais renomados da atualidade quando o assunto é desenvolvimento sustentável. Atual diretor do Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais da Universidade de Paris (França), Sachs foi um dos primeiros a trabalhar com o conceito de ecodesenvolvimento, que significa aliar o crescimento econômico com o desenvolvimento social e o respeito ao meio ambiente.

“Estamos a poucos anos de mais uma Cúpula da Terra, em 2012, que vai ser realizada outra vez no Brasil. É uma data muito importante, sem desmerecer a Copa do Mundo e as Olimpíadas”, brincou Sachs. Segundo ele, lembrando que ainda existe um ano eleitoral em curso, está se passando da hora para se começarem as discussões e preparações para este grande acontecimento.

Apesar de, em sua visão, chegarmos a 2012 com um ambiente mais favorável do que a Conferência de 92, ainda é necessário repensar a maneira negativa com a que está feito o planejamento. Segundo ele, neste início do século XXI, o mundo enfrenta um duplo desafio: ambiental e social. “Não temos direito a pensar soluções que não tratem dos dois sentidos. E isso não se fará pelas graças do mercado”, afirmou. “Um dos perigos que temos de evitar é usar o meio ambiente como um pretexto para jogar para escanteio a problemática social”.

Sachs destacou que, mesmo os países que têm um órgão ou ministério de planejamento, eles acabam se tornando órgãos de orçamento. “Devemos voltar ao conceito de planejamento para acabar com essa ideia de discutir as coisas separadamente. Devemos pensar o desenvolvimento como um todo, articular todas as políticas setoriais dentro de estratégias globais”.

Ele lembra que, no ano de 1954, em Varsóvia (Polônia), o único instrumento de planejamento era o ábaco, que surgiu dentro de um regime autoritário. “Agora, precisamos repensar o planejamento usando as tecnologias modernas de comunicação, numa democracia, e colocando um diálogo quadripartite e não mais tripartite, como antes”. Ele se refere à inclusão da sociedade civil organizada como um dos pilares para o planejamento, além dos empresários, governo e trabalhadores.

Dentro desse contexto, ele ressalta a importância de se ter um estado desenvolvimentista pró-ativo a fim de enfrentar simultaneamente dois desafios: o déficit agudo e as oportunidades de trabalho decentes, o que inclui a existência de uma remuneração razoável e condições que não atentem à dignidade e saúde do trabalhador. “Esse conceito é tão importante quanto evitar as mudanças climáticas”, frisou. “Nessa visão, a questão do paradigma energético não se resume à substituição de energias. A tecnologia não vai resolver as coisas por si só, temos de mexer com as variáveis organizacionais”.

Ele lembrou, ainda, que nesse pensamento de mudança de rumo da sociedade e do mundo, os países tropicais têm grande vantagem, por exemplo, na produção de biocombustíveis para fortalecer a agricultura familiar. “Estamos numa situação que nos obriga a pensar soluções drásticas dentro de um tempo hábil que se calcula de 20 a 30 anos. E, por isso, a importância de não perdermos 2012 como fizemos em 92. Não digo em nível de resoluções, mas do ponto de vista político, que foi um impasse”.

Sachs participou, no dia 9 de março, em São Paulo, do Painel Energia, Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, em parceria com o Instituto Vitae Civilis, o Instituto Ethos e o Instituto Paulo Freire – Crises e Oportunidades. Representando o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), também esteve presente no evento o conselheiro e vice-presidente, arquiteto José Roberto Geraldine Júnior.

Confea/EcoAgência