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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Governo vai liberar R$ 200 milhões para projetos de catadores

O governo federal irá anunciar na quarta-feira R$ 200 milhões em crédito para fortalecer projetos de catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis. O lançamento da terceira etapa do Projeto Cataforte, com ênfase em negócios sustentáveis e rede solidária, será acompanhado da divulgação de um edital público com as normas para a concessão dos empréstimos, por meio do Banco do Brasil. Para ter acesso à linha de microcrédito, os interessados deverão apresentar um plano de negócio. Com base no plano, poderão ter acesso ao crédito. Dos R$ 200 milhões, R$ 30 milhões serão não reembolsáveis (sem necessidade de pagamento posterior), disponibilizados como investimento – o que será o caso de capacitação de mão de obra. Em contraponto, empréstimos para capital de giro, por exemplo, deverão ser reembolsados. Entre as áreas às quais o aporte será destinado estão assessoramento técnico, contabilidade, gestão, técnica de produção, desenvolvimento de tecnologia social e capacitação de recursos humanos. Outro objetivo, segundo o governo, é a entrada das cooperativas no mercado, permitindo que os empreendimentos possam participar de licitações para prestar serviços de coleta seletiva para prefeituras e competir nos serviços de logística reversa e beneficiamento de produtos recicláveis. Na terceira etapa, a expectativa é selecionar 35 redes de cooperativas. Será criado também o comitê estratégico do programa, com representantes da Secretaria-Geral da Presidência, dos ministérios do Trabalho e do Meio Ambiente, da Fundação Banco do Brasil, da Fundação Nacional de Saúde, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Petrobras e do Banco do Brasil. O Cataforte existe desde 2009 e tem sido implementado em etapas. A primeira foi destinada à capacitação, assessoramento técnico e planejamento de atuação em rede. A segunda, à logística, em que foram entregues caminhões a catadores. Em ambas essas etapas foram investidos R$ 40 milhões – um quinto do que será disponibilizado na terceira fase do projeto. “Estamos elevando o patamar (do projeto). Queremos apoiar de maneira mais global essas redes, com mais aporte de recursos e mais ações”, disse a coordenadora do Comitê Interministerial para a Inclusão Social e Econômica dos Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis (Ciisc), Daniela Metello, responsável pela articulação do projeto – em parceria com outros ministérios, organizações não governamentais e empresas públicas. Segundo a coordenadora do Ciisc, quando se pensa em eliminar situações de extrema pobreza no país, tem de ser considerar a condição dos catadores. “É um público em um quadro de exclusão econômica e social muito agravado. Se temos essa intenção (eliminar a extrema pobreza), esse é um público para o qual temos de olhar”, explicou. Do dia 29 até amanhã, políticas públicas para trabalhadores em reciclagem de resíduos sólidos estão sendo discutidas no 1º Seminário Nacional da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) do Ministério do Trabalho e Emprego. Na programação, estão previstos os debates sobre inclusão produtiva no setor, integração e apoio às entidades que atuam na área, fomento e fortalecimento de empreendimentos de catadores de materiais recicláveis e estratégias de sustentabilidade das organizações de catadores com a implantação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010. (Fonte: Agência Brasil)

No futuro, América, Ásia e Europa se unirão em um continente

Você provavelmente se lembra, das aulas de história, de que os continentes já foram um só, 300 milhões de anos atrás – o supercontinente chamado Pangeia. Agora, segundo uma nova pesquisa, eles podem começar a se juntar de novo. Pesquisadores da Universidade de Yale previram que a América e a Eurásia (Europa e Ásia) vão se juntar sobre o Polo Norte daqui 50 a 200 milhões de anos. Eles afirmam que a África e a Austrália vão aderir ao novo “supercontinente” também, e isso marcará o próximo encontro de massas de terra do planeta. As massas da Terra estão em constante movimento, conforme a atividade tectônica terrestre ocorre. Isso gera áreas como a Dorsal Meso-Atlântica, onde a Islândia formou, e áreas como a da costa do Japão, onde placas se encontram causando terremotos. Os geólogos acreditam que, ao longo de bilhões de anos, estas placas mutáveis levaram os continentes próximos uns dos outros, criando os supercontinentes hipotéticos Nuna, 1,8 bilhões de anos atrás, Rodínia, um bilhão de anos atrás, e, em seguida, Pangeia, 300 milhões de anos atrás. O próximo supercontinente já ganhou o título provisório de Amasia, já que deve representar a convergência das Américas e da Eurásia. O que os pesquisadores se propuseram a fazer é prever quando e onde ele irá se formar, olhando para seus antecessores. O modelo criado pelos cientistas coloca as Américas reposicionadas (fechando o Caribe) dentro do que é conhecido como o “anel de fogo” do Pacífico. A Europa, parte da terra da Eurásia, a África e a Austrália estão previstas para participar da fusão continental, com apenas a Antártica deixada de fora. A previsão é baseada na análise de dados magnéticos de rochas ao redor do mundo que trazem informação de eras passadas. Quando se formam, seja por lava esfriando ou sedimentação, rochas antigas “trancam” dentro de si sua orientação magnética. Enquanto isso indica a latitude com muita precisão, historicamente não há indicadores de longitude. Mas os pesquisadores descobriram que, após cada supercontinente histórico ser montado, o supercontinente inteiro passaria por uma série de rotações em torno de um eixo estável na linha do equador. Isso quer dizer que cada supercontinente forma sucessivamente 90 graus de distância de seu antecessor. Estudos anteriores sugeriram que os supercontinentes se formariam seja na mesma parte do mundo ou em lados alternados do globo. A nova pesquisa proporcionou uma melhor visão sobre a história do nosso planeta. E, se estiver correto, pode prever o nosso futuro.[BBC]

Água pode ser menos importante para a vida do que se pensava

Com um pouco de sorte (incluindo questões genéticas e massa corporal), uma pessoa pode sobreviver por mais de uma semana sem comida. Porém, quando fica sem água, dificilmente aguenta mais de três dias. Quem duvidaria da importância desse líquido? Para testar até que ponto a água é essencial à vida, um grupo de pesquisadores do Instituto de Biologia Estrutural em Grenoble (França) pegou moléculas de mioglobina (proteína responsável por levar oxigênio até os músculos) e substituiu a água por um polímero sintético. Como resultado, a amostra ganhou um aspecto viscoso, como o de um xarope. Ao contrário do que se imaginava, porém, a troca não teve qualquer efeito negativo: a “mioglobina híbrida” continuou flexível, funcional e capaz de cumprir seu papel de transportar oxigênio. Os resultados contrariam a ideia de que, sem água, é absolutamente impossível sobreviver. É claro que há algumas limitações envolvidas: o polímero substituto, por exemplo, não ocorre na natureza, o que pode dificultar seu uso na prática. Seja como for, a ideia de “vida seca” não soa tão absurda agora.[Gizmodo] [New Scientist] O QUE É UM POLÍMERO Polímeros são materiais orgânicos ou inorgânicos, naturais ou sintéticos, de alto peso molecular, cuja estrutura molecular consiste na repetição de pequenas unidades, chamadas meros. (Sua composição é baseada em um conjunto de cadeias poliméricas; cada cadeia polimérica é uma macromolécula constituída por união de moléculas simples ligadas por covalência.) http://polimeros.no.sapo.pt/polim.htm

Jardim garrafa: plantas florescem em ecossistema que não tem sido aberto desde 1972

Tanto florescimento de vida vegetal em apenas uma garrafa. Será que isso é mesmo possível? Por mais incrível que pareça, esse jardim garrafa é ainda mais incrível do que parece: não tem sido aberto desde 1972. David Latimer, 80 anos, é o dono deste curioso experimento que não tem tomado muito do seu tempo. A última vez que ele regou as plantas, o Brasil era governado pelo regime militar e Emílio Garrastazu Médici era presidente. Mas como essas plantas sobrevivem? Seria uma montagem? De acordo com especialistas, não. É totalmente possível que plantas formem um miniecossistema que “cuida de si mesmo”. E, aparentemente, é o caso do jardim lacrado do Sr. Latimer (embora ninguém possa dizer com certeza se ele realmente não abre ou vem regando a garrafa com frequência). Jardim garrafa No domingo de Páscoa de 1960, o Sr. Latimer pensou que seria divertido começar um jardim garrafa, por curiosidade. Em um garrafão globular de cerca de 37 litros, Latimer derramou um pouco de composto e cuidadosamente colocou uma muda de plantas do gênero Tradescantia, usando um pedaço de arame. Na época, colocou só um pouco de água, e apenas em 1972 deu outra “regada”. Desde então, o sistema tem prosperado, enchendo sua garrafa com folhagem saudável. “O jardim fica em uma janela, para tomar um pouco de luz solar. As plantas crescem em direção à luz”, conta o Sr. Latimer. Cientistas explicam que o jardim garrafa criou seu próprio ecossistema em miniatura. Apesar de ter sido cortado do mundo exterior, porque ainda está absorvendo luz, pode realizar fotossíntese, o processo pelo qual as plantas convertem luz solar em energia que precisam para crescer. A fotossíntese cria oxigênio e também coloca mais umidade no ar. A umidade se acumula no interior da garrafa e “chove” de volta na planta. As folhas que apodrecem caem na parte inferior da garrafa, criando o dióxido de carbono necessário para a fotossíntese e os nutrientes que as plantas reabsorvem através das suas raízes. A garrafa está atualmente em exposição sob as escadas no corredor da casa do Sr. Latimer em Cranleigh, Surrey (Reino Unido), no mesmo lugar que ocupou por 27 anos. Segundo o designer de jardim e apresentador de televisão Chris Beardshaw, o jardim garrafa é um grande exemplo da maneira pela qual as plantas são capazes de se reciclar, e mostra a razão pela qual a NASA está interessada em levar plantas ao espaço. “Plantas operam como purificadores, tirando poluentes no ar, de modo que uma estação espacial pode efetivamente se tornar autossustentável”, disse. “Este é um grande exemplo de quão pioneiras as plantas são, e como persistem dada as oportunidades”. O Sr. Latimer espera passar o “experimento” adiante para seus filhos adultos uma vez que não estiver mais por perto. Se eles não quiserem, vai deixá-lo com a Royal Horticultural Society, uma sociedade britânica, para ver por quanto tempo esse ecossistema sustentável pode perdurar. O processo Jardins garrafa só precisam de luz para sobreviver. Ela é absorvida sobre as folhas da planta pelas proteínas que contêm clorofila (um pigmento verde). Parte dessa energia da luz é armazenada sob a forma de trifosfato de adenosina (ATP), e o restante é usado para remover elétrons a partir da água absorvida do solo pelas raízes das plantas. Estes elétrons então tornam-se “livres” e são usados em reações químicas que convertem o dióxido de carbono em carboidratos, liberando oxigênio. Este processo de fotossíntese é o oposto da respiração celular que ocorre em outros organismos, incluindo humanos, em que os carboidratos que contêm a energia reagem com o oxigênio para produzir dióxido de carbono e água e liberar energia química. Mas o ecossistema também usa respiração celular para quebrar material em decomposição derramado pela própria planta no solo. Nesta parte do processo, as bactérias no interior do solo da garrafa absorvem oxigênio dos resíduos, liberando dióxido de carbono que a planta pode reutilizar. E, claro, à noite, quando não há luz solar para conduzir a fotossíntese, a planta também utiliza a respiração celular para manter-se viva, quebrando os nutrientes armazenados. Como o jardim garrafa é um ambiente fechado, o ciclo de água também é um processo de autocontido. A água na garrafa é absorvida pelas raízes das plantas, liberada para a atmosfera durante a transpiração, e condensada, onde o ciclo começa novamente.[DailyMail]

terça-feira, 30 de julho de 2013

Talidomida continua a causar defeitos físicos em bebês no Brasil

Segundo uma denúncia publicada pela rede de notícias britânica BBC, o Brasil está vivendo uma reedição da "tragédia da talidomida". A talidomida foi introduzida, no final dos anos 1950, como um sedativo. A droga era dada às mulheres grávidas para combater os sintomas do enjoo matinal. Mas o uso durante a gestação restringiu o crescimento dos membros dos bebês, que nasceram com má-formação nas pernas e braços. Em torno de 10 mil bebês nasceram com defeitos físicos em todo o mundo até que a droga fosse tirada de circulação em 1962. Na maioria dos países, os bebês vítimas da talidomida se tornaram adultos, hoje com cerca de 50 anos de idade, e não houve mais novos casos registrados. Mas no Brasil a droga foi reintroduzida em 1965 como tratamento das lesões da pele, uma das complicações da hanseníase. A polêmica droga é distribuída na rede pública para tratar pessoas com hanseníase - doença antigamente chamada de lepra, causada pelo bacilo de Hansen, o Mycobacterium leprae, que ataca nervos periféricos e a pele. Mas algumas mulheres, por desconhecerem seus riscos, têm tomado o medicamento no Brasil durante a gestação. Os casos de hanseníase no Brasil são mais recorrentes do que em qualquer outra parte do mundo, exceto a Índia. Mais de 30 mil casos são diagnosticados todos os anos - com milhões de pílulas de talidomida sendo distribuídas para tratar a doença. Pesadelo revivido Pesquisadores citados pela BBC afirmam que já existem 100 casos de crianças com defeitos físicos exatamente como os causados pela talidomida nos anos 1950. "Uma tragédia está ocorrendo no Brasil... Esta é uma síndrome completamente evitável", afirma Lavinia Schuler-Faccini, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A professora Lavinia Schuler-Faccini e outros pesquisadores da UFRGS investigaram os registros de nascimento de 17,5 milhões de bebês entre 2005 e 2010. "Quanto maior o número de pílulas em cada Estado, maior o número de defeitos nos membros (dos bebês)", explica a pesquisadora. No mesmo período de 2005-2010, cerca de 5,8 milhões de pílulas de talidomida foram distribuídas em todo o Brasil. Talidomida no Brasil No Brasil, há uma regulamentação bastante restrita para o uso da talidomida. Ela pode ser prescrita apenas para mulheres que estiverem utilizando duas formas de contraceptivo e concordarem em fazer testes regulares de gravidez. Mulheres que recebem prescrição de talidomida no Brasil são orientadas a utilizar duas formas de contracepção. Elas também passam por testes regulares de gravidez. Existem alertas bem claros nas embalagens do remédio, como uma imagem de um bebê nascido com deficiências. Mas a hanseníase é uma doença das populações mais pobres, em áreas em que o cuidado com a saúde é ruim e a educação é inadequada. Onde a hanseníase é mais comum, a talidomida continuará a ser prescrita e o risco de bebês nascerem com defeitos físicos continuará. Artur Custodio, do Morhan (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase), reconhece que a talidomida é perigosa, mas afirma que carros causam mais acidentes com vítimas que se tornam deficientes físicos no Brasil do que o medicamento. "Nós não falamos sobre banir o uso de carros, nos dizemos que deveríamos ensinar as pessoas a dirigir com responsabilidade", afirma. "É a mesma coisa para a talidomida". Informações da BBC

CONCLIMA apresentará resultados de pesquisas sobre mudanças climáticas

Estão abertas as inscrições para a 1ª CONCLIMA - Conferência Nacional da Rede CLIMA, INCT para Mudanças Climáticas e Programa Fapesp de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais, que será realizada de 9 a 13 de setembro em São Paulo. Rede CLIMA e INCT para Mudanças Climáticas são apoiados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que também possui ativa participação no Programa Fapesp. O prazo para submissão de resumos para sessão de pôsteres da 1ª CONCLIMA encerra-se no dia 20 de agosto. O objetivo da conferência é apresentar os resultados das pesquisas e o conhecimento gerado por esses importantes programas e projetos – um ambicioso empreendimento científico criado pelos governos federal e do Estado de São Paulo para prover informações de alta qualidade em estudos de clima, detecção de variabilidade climática e mudança climática, e seus impactos em setores chaves do Brasil. A CONFERÊNCIA Em 2007, o 1º Simpósio Brasileiro de Mudanças Ambientais Globais, realizado no Rio de Janeiro, teve como objetivo principal apresentar o estado da arte das pesquisas científicas sobre mudanças globais a representantes do setor acadêmico, governamental e empresarial. Podemos afirmar sem sombra de dúvida que como ações diretas originadas neste 1º Simpósio tivemos a criação da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede CLIMA), o edital do CNPq para a implementação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e as chamadas para as propostas do programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudancas Climáticas Globais (PFPMCG) entre 2007 e 2008. O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC) foi instituído em 2008 por meio de Edital do CNPq e tem vigência até janeiro de 2014. É dividido em 26 subprojetos de pesquisa, e tem contribuído para a melhor compreensão da dinâmica de funcionamento da atmosfera, dos oceanos, e dos continentes da Terra. Também colabora para a expansão de nossa capacidade observacional do planeta oferecendo às comunidades científicas novas e extensas oportunidades para avançar no entendimento do planeta como um sistema acoplado. O PFPMCG foi criado em 2008, e tem como objetivo fomentar novos conhecimentos sobre o mesmo tema. Espera-se que os resultados de pesquisa do programa auxiliem na tomada de decisões fundamentadas cientificamente com respeito a avaliações de risco e estratégias de mitigação e adaptação. A Rede CLIMA, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é uma rede permanente criada em 2007 que tem como objetivo principal gerar e disseminar conhecimentos para que o Brasil possa responder aos desafios representados pelas causas e efeitos das mudanças climáticas globais. Até o presente, foram criadas 13 sub-redes temáticas, cobrindo os aspectos de aumento do conhecimento científico, impactos, adaptação e mitigação das mudanças climáticas com respeito a: biodiversidade e ecossistemas, recursos hídricos, agricultura, saúde humana, cidades, zonas costeiras, oceanos, desastres naturais, serviços ambientais dos ecossistemas, energias renováveis, economia, e desenvolvimento regional, além de modelagem climática. O INCT-MC, o PFPMCG e a Rede CLIMA têm envolvido um grande número de grupos de pesquisa de instituições e universidades brasileiras e estrangeiras, com cerca de 2.000 participantes. Representam um ambicioso empreendimento científico criado pelo governo federal e do Estado de São Paulo para prover informações de alta qualidade em estudos de clima, detecção de variabilidade climática (VC) e mudança climática (MC), e seus impactos em setores chaves do Brasil, utilizando o que há de mais avançado em técnicas de observações e de modelagem das diferentes componentes do sistema climático global. Todos esses estudos são relevantes para ajudar o Brasil a cumprir os objetivos do seu Plano Nacional sobre Mudança do Clima, e também de informar os cientistas, os responsáveis pelas políticas públicas, os meios de comunicação e o público em geral, sobre estratégias de adaptação, estudos de vulnerabilidade e para propor medidas de mitigação. As pesquisas desses três programas têm produzido resultados interessantes, tendo fornecido subsídios científicos para a participação brasileira nas COPs recentes e na Conferência Rio+20. Assim, considerando as sinergias entre os três programas, as colaborações atuais e a potencial interação entre a pesquisa das sub-redes da Rede CLIMA, do INCT-MC e dos projetos do PFPMCG, pensou-se em organizar a 1ª Conferência Nacional da Rede CLIMA, INCT-MC e PFPMCG, na cidade de São Paulo, de 9 a 13 setembro 2013. Fonte: INPE

Apetite global por energia subirá 56% até 2040

O consumo mundial de energia vai crescer 56% até 2040, prevê um novo relatório Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado nesta quinta-feira. A maior parte desse incremento virá de países de fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde o apetite energético é estimulado pelo rápido crescimento econômico, como China, Índia, Brasil e África do Sul. Apesar das energias renováveis e nuclear serem as fontes que mais crescem no mundo, com expansão de 2,5% por ano, o documento International Energy Outlook 2013 (IEO2013) estima que os combustíveis fósseis continuarão a fornecer cerca de 80% da demanda mundial nos próximos trinta anos. Nessa seara, o gás natural é o combustível fóssil que mais cresce, a uma taxa de 1,7% ao ano. Segundo a agência, o aumento da oferta de gás natural, incluindo de xisto (veja as maires reservas de gás de xisto), ajudarão a atender a alta da demanda. Para o carvão, o relatório prevê crescimento maior do que o de petróleo e outros combustíveis líquidos, pelo menos até 2030, principalmente devido ao aumento no consumo da China. O setor industrial continuará a representar a maior fatia do consumo de energia, recebendo metade da energia total entregue em 2040. Disparada nas emissões – O crescimento econômico das nações em desenvolvimento, alimentado por uma dependência contínua de combustíveis fósseis, será responsável por um salto relevante nas emissões de gases efeito estufa. Levando em conta as políticas e normas vigentes que regem o uso de combustíveis fósseis, as emissões de carbono associadas à geração e consumo de energia em todo o mundo deverão aumentar em 46% nos próximos 30 anos, em relação às emissões de 2010. Como o mundo ainda se recupera dos efeitos da recessão global de 2008-2009, a AIE sublinha que muitas das questões econômicas ainda não resolvidas acrescentam um fator de incerteza à avaliação de longo prazo dos mercados energéticos mundiais. (Fonte: Exame.com)

Butantan iniciará teste clínico de vacina oral contra hepatite B

O Instituto Butantan está se preparando para iniciar os testes clínicos de uma vacina oral contra hepatite B. A expectativa é que a nova vacina tenha a mesma eficácia da vacina injetável, mas mais fácil de ser aplicada e com custo mais baixo. O anúncio foi feito por Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant'Anna, pesquisador do Instituto Butantan, durante conferência proferida nesta terça-feira (23/07) na 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Recife (PE). "O protocolo para iniciar os testes clínicos da vacina está sendo preparado. A vacina é importante mundialmente por mudar um paradigma de vacinação", disse Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant'Anna, pesquisador do Instituto durante a reunião anual da SBPC, em Recife. Vacina por via oral De acordo com o pesquisador, um dos desafios para se administrar vacinas por via oral é fazer com que os antígenos (responsáveis pela imunização) cheguem ao sistema imune, localizado fundamentalmente no intestino. A dificuldade ocorre porque é difícil atravessar o suco gástrico - que possui acidez muito alta, além de proteases (enzimas que quebram proteínas) - e chegar incólume ao intestino, a partir de onde será realizada a ação de imunização. Por esse motivo, um dos únicos exemplos de vacina administrada por via oral atualmente no mundo é a Sabin, utilizada para imunizar crianças contra a poliomielite. Sant'Anna, em colaboração com Márcia Fantini, professora do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu uma forma de encapsular e proteger os antígenos da ação do suco gástrico. Nanotubos de sílica Com o uso de nanotubos de sílica - um óxido de silício, o mesmo elemento usado para fabricar processadores de computador -, os pesquisadores conseguiram que os antígenos da vacina de hepatite B atravessassem a barreira gástrica e chegassem intactos ao intestino. "Os nanotubos de sílica têm estrutura parecida com favos de mel, com poros onde é possível inserir e encapsular antígenos", explicou Sant'Anna. Os primeiros testes da vacina com nanotecnologia em camundongos foram realizados em 2001 e 2002, com uma vacina recombinante (feita de vírus geneticamente manipulados) contra hepatite B produzida pelo Instituto Butantan. Inicialmente, a vacina foi aplicada nos animais de forma injetável. Em 2007, foram iniciados testes de administração por via oral em animais com a vacina recombinante contra hepatite B com sílica, formulada e envasada pelo Instituto Butantan e fabricada pela indústria farmacêutica Cristália. O desenvolvimento da vacina resultou no depósito de uma patente, compartilhada pelo Instituto Butantan e pela Cristália. "Constatamos que a vacina oral com sílica melhorou muito a resposta imunológica dos animais. Ela realmente os imunizou efetivamente contra a hepatite B", afirmou Sant'Anna. A previsão é de que os testes com humanos sejam concluídos entre 2018 a 2020, e que a nova vacina chegue ao mercado em um prazo de dez anos. O protocolo para a realização desses testes está sendo montado pelo Instituto Butantan em parceria com a Cristália. Uso da técnica em outras vacinas A tecnologia de produção de vacinas com sílica está sendo testada para outras aplicações. Atualmente, os pesquisadores testam a tecnologia a fim de desenvolver, por exemplo, vacina com intimina - proteína presente em bactérias que colonizam a flora intestinal humana - para combater diarreias infecciosas. "Já sabemos que vacina com intimina funciona bem pela via oral", disse Sant'Anna. O grupo de pesquisadores também realizou ensaios preliminares com vacina antirrábica (contra a raiva animal), mas não ainda administrada pela via oral. Os resultados dos testes indicaram que a sílica potencializa a ação da vacina. Além disso, também diminui a toxicidade de toxinas como a diftérica, utilizada para produzir soro antidiftérico em animais. "Pelo fato de a sílica encapsular os antígenos, é possível utilizá-la para administrar toxina diftérica em cavalos, por exemplo, e produzir soro antidiftérico", disse Sant'Anna. "Se a toxina for administrada sem sílica ou outra forma de proteção, o animal morre." Fim das seringas Já nas vacinas para uso em humanos, uma das vantagens da administração por via oral, de acordo com o pesquisador, é a diminuição do custo econômico e operacional para aplicá-la. A eliminação da necessidade de usar seringa e agulha reduz significativamente o preço da vacina. Além disso, não é necessário treinar enfermeiros e profissionais de atendimento à saúde para usá-la, como acontece hoje com as vacinas injetáveis. "Basta que os profissionais de saúde tenham consciência de como administrar a vacina via oral, como se faz hoje com a vacina Sabin", disse Sant'Anna. "O organismo não dispensa tanta energia ao receber uma vacina pela via oral. Além disso, a boca é a via natural da instalação de uma infecção. É, portanto, o canal propício para ações de vacinação", destacou. Agência Fapesp

Parasitas em fezes de gatos estão se tornando problema de saúde pública

O crescimento do número de animais de estimação em todo o mundo começa a preocupar os pesquisadores. Recentemente, um estudo mostrou que o volume de produtos agrícolas destinados à fabricação de rações para os pets já é maior do que o consumo de vários países. Agora a preocupação está recaindo sobre a saúde, especificamente sobre parasitas disseminados pelos gatos. O estudo, realizado nos Estados Unidos, mostrou que os gatos daquele país depositam cerca de 1,2 milhão de toneladas de fezes no ambiente todos os anos. O maior problema é que o cocô dos bichanos carrega um grande e subestimado problema de saúde pública. Toxoplasma gondii As fezes dos gatos carregam um parasita infeccioso chamado Toxoplasma gondii, um protozoário que recentemente causou epidemias de toxoplasmose em pessoas saudáveis - e não apenas em mulheres grávidas ou pessoas com deficiências imunológicas, como costuma ocorrer. Outras preocupações têm sido levantadas por estudos que associam o T. gondii com a esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo, artrite reumatoide, câncer no cérebro e até mesmo problemas na escola para as crianças. Os estudos mostraram que quintais e áreas comunitárias podem abrigar de 30 a 4.000 oocistos por metro quadrado, e muito mais em lugares onde os gatos frequentemente depositam suas fezes. Cada um desses oocistos tem o potencial para causar uma infecção. Os gatos normalmente são infectados após caçar e comer aves, ratos ou outros pequenos mamíferos infectados. Então, eles espalham os oocistos no solo, na grama, na água e em outros lugares. "O acúmulo de oocistos de Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes de gato, pode ser um problema muito maior do que imaginamos por causa de sua longa vida aparente e sua associação com várias doenças," disse Fuller Torrey, do Instituto de Pesquisa Médica Stanley. Ele defende um melhor controle da população de gatos e mais pesquisas sobre o assunto. Cuidados com os gatos Para os donos de gatos, há pouca necessidade de se preocupar se seu gato ficar em casa, garante Torrey. Mas se seus amigos felinos (ou os de seus vizinhos) passam um tempo fora, tome cuidado com caixas de areia e solo, mantendo-as cobertas, e use luvas quando for cuidar do jardim. Uma estimativa mostrou que a sujeira sob as unhas poderia abrigar até 100 oocistos de T. gondii. Torrey e o coautor do estudo, Robert Yolken, da Universidade Johns Hopkins, recomendam cuidado extra com crianças pequenas, que podem estar em maior risco. Redação do Diário da Saúde

Mortes por gripe A (H1N1) em São Paulo representam 70% dos casos do país

As mortes por gripe A (H1N1) no estado de São Paulo somam 324 casos até o dia 16 de julho, segundo dados do Ministério da Saúde. O número representa quase 70% das mortes registradas neste ano em todo o país. Foram 466 óbitos ante 351 em 2012. O estado também concentra o maior número de casos graves da doença, com 1.611 notificações. No Brasil, foram 2.453 casos. Em São Paulo, a capital paulista lidera o total de mortes pelo vírus Influenza A (H1N1), com 72 registros, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. As outras cidades que mais apresentaram casos foram São José dos Campos, Campinas, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Jundiaí e Sorocaba. A secretaria destaca que 71% das pessoas que morreram tinha alguma doença associada (comorbidade), como hipertensão ou diabetes, ou eram gestantes. Além disso, entre as mortes, 89% dos pacientes não estavam vacinados contra a gripe. O ministério informou que foram imunizadas mais de 36 milhões de pessoas que fazem parte do grupo de risco da doença, que inclui crianças menores de 2 anos, pessoas com mais de 60 anos e gestantes. Além disso, o órgão está reforçando a distribuição do remédio oseltamivir (conhecido pelo nome comercial Tamiflu) para as secretarias de Saúde. (Fonte: Agência Brasil)

Dengue já atingiu 40 mil pessoas na América Central somente este ano

Um surto de dengue já provocou a morte de 29 pessoas na América Central este ano, de acordo com a EFE. No total, foram mais de 40 mil infectados pela doença. O país com mais mortes registradas foi Honduras, com 15 vítimas fatais, seguido por Guatemala, com 6 mortos, Nicarágua, com 4, Costa Rica, com 3 e El Salvador, com uma morte. Honduras realizou nesta sexta-feira (26) a última jornada de uma campanha de três dias para erradicar as larvas do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. De acordo com o governo do país, mais de 12 mil pessoas foram infectadas com o tipo clássico e mais de 1,5 mil com o tipo grave ou hemorrágico. O número de mortes aumentou muito em relação aos anos anteriores. No ano passado inteiro, por exemplo, Honduras registrou apenas duas mortes por dengue, em comparação com as 15 deste ano. De acordo com a AFP, no esforço para eliminar o problema, o governo tem usado o slogan: “Sem criadouro, não há mosquitos. Sem mosquitos, não há dengue”. Já na Guatemala, as autoridades reportaram 3.691 casos de dengue clássica e declararam estado de alerta no departamento de Jutiapa, que faz fronteira com El Salvador. Na Nicarágua, onde 1.660 casos foram reportados, o governo também adotou várias campanhas institucionais, entre elas uma em que funcionários visitam casa por casa para orientar a população sobre a necessidade de eliminar os criadouros de mosquitos. Na Costa Rica, as autoridades de saúde contabilizaram cerca de 17 mil casos este ano, a maioria na costa do Pacífico, cerca de 300% a mais do que os casos registrados no mesmo período de 2012. O Ministério da Saúde do país criou, inclusive, um jogo online para ensinar a população a identificar os criadouros de mosquitos. Pelo menos 3.774 casos de dengue foram também foram confirmados em El Salvador, 7% a mais do que o registrado no mesmo período de 2012. O único caso de morte do país foi uma bebê de 10 meses. No Panamá, diferentemente dos outros países da América Central, as autoridades registraram uma discreta diminuição do número de casos. No primeiro semestre, foram 379 casos, 9,5% a menos do que o ocorrido no mesmo período no ano passado. Lá, um projeto de prevenção contra dengue introduziu no ambiente mosquitos transgênicos, chamados de “terminator”, que têm o objetivo de erradicar o transmissor da dengue. A dengue afeta entre 50 e 100 milhões de pessoas por ano e tem como principais sintomas febre, dores musculares e nas articulações, dores de cabeça, enjoos e vômitos. (Fonte: G1)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Neve e chuva congelada arrasaram a Mata Atlântica em Santa Catarina

A Mata Atlântica do Planalto Norte de Santa Catarina foi devastada pela neve. A exuberante floresta tropical não suportou. O verde da mata sumiu sob o gelo. A RPPN das Araucárias Gigantes, reserva federal, que protege gigantescas araucárias centenárias ameaçadas de extinção e as nascentes do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), foi duramente atingida. Centenas de árvores de grande porte simplesmente tombaram ou tiveram quase todos seus galhos quebrados devido ao acúmulo de gelo e os ventos fortes. Agricultores do entorno da reserva contam que durante a madrugada do dia 23/07 foram acordados com estrondosos ruídos das árvores quebrando e tombando em um efeito dominó. Era como se algo estivesse moendo as matas. Ficaram muito assustados e acharam que era o fim do mundo. A estrada que corta a reserva ficou bloqueada em quase toda sua extensão com galhos e árvores tombadas. Os impactos foram maiores nas bordas e nas partes com mata secundária. As árvores novas que não quebraram, ficaram arqueadas. Para agravar a situação, uma camada de gelo de alguns centímetros se acumulou no chão da floresta primária (bem preservada) da reserva que ficou repleta de galhos quebrados e troncos das árvores que não resistiram. Uma cutia (Dasyprocta azarae) foi encontrada atordoada, sem mostrar reação de fuga. As consequências para fauna deverão ser graves, uma vez que houve perda total dos frutos verdes e maduros. O gelo acumulado no solo durante mais de 48 horas pode ter aniquilado com a população de anfíbios e outros pequenos animais, que estão na base da cadeia alimentar. Pode ocorrer uma tragédia, uma perda enorme de biodiversidade. A reserva fica na região de transição da Mata Atlântica densa para Matas de Araucárias, altitude entre 600 e 700 metros, onde não ocorrem geadas muito fortes. Por isso o impacto é muito grande. A destruição dos eucaliptos também foi grande em muitos reflorestamentos do entorno da reserva e outras localidades de Itaiópolis. Plantações novas não resistiram, foram totalmente esmagadas como se um gigantesco trator de esteira passasse por cima. A zona rural de Santa Catarina virou um cenário de horror. Algumas localidades ainda não tiveram a rede elétrica restabelecida e poderão ficar sem energia por mais de uma semana. Postado por Germano Woehl Jr. http://ra-bugio.blogspot.com.br/

Coca-cola pode prejudicar o esperma

De acordo com um estudo holandês a contagem de esperma em homens que bebem mais refrigerante de cola é, em média, 30% mais baixa do que em homens que não tomam a bebida. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que homens com contagem mais baixa de espermatozóides têm risco de ficarem estéreis. Ainda não se tem certeza sobre qual substância no refrigerante é responsável pelo fenômeno, mas é improvável que seja a cafeína – porque o café não tem o mesmo efeito nos homens. Outras substâncias aliadas a um estilo de vida que não sejam saudáveis podem estar envolvidas. Segundo pesquisadores, poucos estudos foram feitos relacionando a infertilidade masculina à bebidas com cafeína, então essa foi a razão para que a pesquisa com 2500 homens holandeses fosse feita. Os resultados mostraram que os caras que não tomavam Coca-cola ou bebidas similares possuíam um esperma de melhor qualidade (50 milhões de espermatozóide por litro de sêmen). Além disso o estilo de vida deles era de melhor qualidade. Já aqueles que tomavam mais de um litro de coca por dia tinham uma contagem de apenas 35milhões de espermatozóides por litro de sêmen. Eles também comiam menos vegetais e frutas. Pela qualidade de vida estar relacionada ao consumo de refrigerante, ainda não se sabe, com certeza, se é a dieta do homem ou se a quantidade de bebida de cola que afeta a qualidade do sêmen. Apesar de existir a probabilidade que os dois fatores causem o fenômeno, especialistas acham que a bebida de cola seja o fator menos influente. Fonte: Reuters

Degelo do Ártico prejudicaria a economia mundial em US$ 60 trilhões

Utilizando uma versão atualizada dos modelos aplicados no famoso relatório Stern, do governo britânico, pesquisadores calcularam que o custo econômico de ver todo o metano armazenado no permafrost (solo congelado) do Ártico liberado para a atmosfera seria de US$ 60 trilhões, o equivalente quase ao PIB global de um ano. “O impacto global do aquecimento do Ártico é uma bomba relógio econômica”, alertou Gail Whiteman, da Universidade Erasmus (Holanda), um dos autores dessa que é a primeira análise sobre os custos econômicos do degelo do Ártico. Bilhões de toneladas de metano, um gás do efeito estufa 25 vezes mais potente em seu poder de aquecimento global do que o dióxido de carbono, estão estocadas logo abaixo da superfície no leste do Ártico. O derretimento da camada de solo congelada liberaria esse gás, antecipando um aumento nas temperaturas globais esperado para daqui a 35 anos, indica o novo estudo publicado na revista Nature. Em 2010, Natalia Shakhova e Igor Semiletov, pesquisadores da Universidade do Alasca, haviam estimado que, anualmente, oito milhões de toneladas de metano já são emitidas pela Plataforma Ártica da Sibéria Oriental. O estudo, englobando a primeira medição direta já realizada na região, indica que provavelmente essas emissões não sejam novas, podendo estar ativas desde o grande derretimento da última era do gelo. O frio extremo mantinha o permafrost a temperaturas suficientemente baixas para que o derretimento fosse bastante lento. Porém, com os relatos cada vez mais frequentes de taxas crescentes de degelo no Ártico, o nível de liberação do metano também deve subir. Shakhova e Semiletov calcularam que a liberação de 50 bilhões de toneladas de metano seria possível dentro de uma década, aumentando a concentração do gás na atmosfera em doze vezes e da temperatura em 1,3°C. Agora, Whiteman, em conjunto com Chris Hope e Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge, analisaram as consequências econômicas dessa liberação entre 2015 e 2025 e descobriram que os prejuízos econômicos superam em muito os benefícios regionais que foram previstos – abertura de rotas comerciais e novos depósitos minerais e de combustíveis fósseis. Com uma perspectiva global, eles calculam que o impacto apenas da liberação do metano no Ártico será enorme, alcançando US$ 60 trilhões na ausência de ações de mitigação, pois a região é elementar para o funcionamento dos sistemas terrestres. “Grande parte do custo será carregado por países em desenvolvimento que, com o degelo do Ártico, enfrentarão problemas como: eventos climáticos extremos, piora na saúde pública e redução na produção agrícola”, alerta o artigo. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

Conheça 10 razões para consumir alimentos orgânicos

Os alimentos orgânicos, que dispensam o uso de agrotóxicos, ganham cada vez mais mercado no Brasil. Diversificada, a produção conta com carnes, frutas, verduras, mel, cereais, farinhas e doces, só para citar os principais exemplos. O Ministério do Meio Ambiente listou dez motivos para consumir produtos orgânicos: 1. Evita problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias químicas tóxicas; 2. Alimentos orgânicos são mais nutritivos. Solos ricos e balanceados com adubos naturais produzem alimentos com maior valor nutritivo; 3. Alimentos orgânicos são mais saborosos. Sabor e aroma são mais intensos – em sua produção não há agrotóxicos ou produtos químicos que possam alterá-los; 4. Protege futuras gerações de contaminação química. A agricultura orgânica exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos ou qualquer produto químico e tem como base de seu trabalho a preservação dos recursos naturais; 5. Evita a erosão do solo. Por meio de técnicas orgânicas, tais como rotação de culturas, plantio consorciado, compostagem, o solo se mantém fértil e permanece produtivo ano após ano; 6. Protege a qualidade da água. Os agrotóxicos utilizados nas plantações atravessam o solo, alcançam os lençóis d’água e poluem rios e lagos; 7. Restaura a biodiversidade, protegendo a vida animal e vegetal. A agricultura orgânica respeita o equilíbrio da natureza, criando ecossistemas saudáveis; 8. Ajuda os pequenos agricultores. Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que tem na terra a sua única forma de sustento. Mantendo o solo fértil por muitos anos, o cultivo orgânico prende o homem à terra e revitaliza as comunidades rurais; 9. Economiza energia. O cultivo orgânico dispensa os agrotóxicos e adubos químicos, utilizando intensamente a cobertura morta, a incorporação de matéria orgânica ao solo e o trato manual dos canteiros. É o procedimento contrário ao da agricultura convencional que se apoia no petróleo como insumo de agrotóxicos e fertilizantes e é a base para a intensa mecanização que a caracteriza; 10. O produto orgânico é certificado. A qualidade do produto orgânico tem que ser assegurada pelo Sistema Brasileiro de Conformidade Orgânica coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o que garante ao consumidor que está adquirindo produtos mais saudáveis e isentos de qualquer resíduo tóxico. * Publicado originalmente no site EcoD.

Técnica nuclear pode ser usada para combater mosquito da dengue

Pesquisa da Agência Internacional de Energia Atômica também está sendo feita no Brasil; mosquitos são esterilizados com radiação. A Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, está desenvolvendo pesquisas para eliminar o mosquito da dengue por meio da técnica do inseto estéril. A informação é do embaixador do Brasil junto à agência da ONU. Laércio Antônio Vinhas lembra que o método já é utilizado com sucesso na mosca da fruta. Tecnologia Nuclear Em entrevista à Rádio ONU, de Viena, o embaixador brasileiro destacou que os estudos são recentes e que a técnica tem como componente principal a tecnologia nuclear. “Aqui, a agência tem um programa e no Brasil também está sendo trabalhado, que é usar essa técnica para o caso do Aedes aegypti, no sentido de desenvolver, em laboratório, um inseto com as mesmas características do inseto encontrado na natureza, de maneira a produzir uma cepa em que você eliminaria as fêmeas e esterilizaria os machos. Essa parte de esterilização dos mosquitos é feita com radiação.” Laércio Antônio Vinhas acredita que se as pesquisas derem resultado, o sucesso do método será grande. Por enquanto, estão sendo criados mosquitos semelhantes ao Aedes aegypti. A técnica do inseto estéril, criada pela Aiea, já é utilizada em Juazeiro, na Bahia, para eliminar a mosca da fruta das plantações de manga. Os mosquitos estéreis são produzidos na cidade pela biofábrica Moscamed Brasil, a primeira no mundo do tipo. * Publicado originalmente no site Rádio ONU.

O Glaucoma é a Principal Causa de Cegueira Irreversível no País

São Paulo, 23 de Novembro de 2000 (eHLA). Mais de um milhão de pessoas em todo o Brasil são vítimas do glaucoma e muitas não sabem que possuem a doença. “O glaucoma se instala lentamente e, sem dar sinais, vai lesando o nervo ótico até provocar danos que comprometem definitivamente a visão. Não fosse o desconhecimento das pessoas sobre os riscos da doença, muito sofrimento poderia ser evitado. Por causa da falta de prevenção e informação, a doença é a principal causa de cegueira irreversível no país”, afirma o médico Felício Aristóteles da Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma. Glaucoma é uma doença que se caracteriza pela pressão elevada dentro do olho. Ela aumenta quando o líquido que banha as estruturas oculares (o humor aquoso) não é drenado naturalmente. Com a pressão alta, a quantidade de sangue que chega aos tecidos oculares diminui e as células nervosas no fundo do olho sofrem danos. O resultado disso é a perda progressiva da visão. “Na maioria dos casos, o glaucoma se desenvolve sem ocasionar nenhum sintoma e pode progredir com tanta lentidão que a pessoa não se dá conta da perda gradual da visão. Por isso, quanto mais rápido for diagnosticado o problema, maior as chances de evitar a cegueira”, afirma o especialista. Apostando na informação e no diagnóstico precoce, o Instituto de Olhos de Belo Horizonte realizou uma semana dedicada à doença. Num balanço parcial, constatou que, dos 3.700 pacientes examinados, cerca de 10% apresentaram pressão ocular elevada. Numa avaliação mais rigorosa, 5% apresentaram evidências de que realmente estão com a doença. "O índice é elevado, mas estamos levando em consideração o fato de que muitas pessoas que nos procuraram já sabiam que estavam com a doença", afirma o diretor do Instituto, Homero Gusmão de Almeida. Prevenção e Tratamento Os sintomas, ao contrário do que se acredita, são bem discretos. A dor ocular raramente ocorre, assim como lacrimejamento ou olhos vermelhos. O tipo mais comum de glaucoma é o crônico. Ele leva a uma perda lenta da visão periférica (visão lateral) e pode ser descoberto apenas nas fases mais avançadas se a pessoa não faz consultas periódicas ao oftalmologista. “A única forma de prevenir o glaucoma é fazer visitas periódicas ao oftalmologista. Visitas anuais são indicadas a partir dos 40 anos”, alerta Dr. Homero. Algumas pessoas, no entanto, têm propensão à doença devido a fatores de risco, como: membros na família portadores de glaucoma, ascendência da raça negra, quem sofre de miopia em graus elevados ou passou por traumas ou cirurgias oculares. Quanto mais rápido for descoberta e tratada, maior a chance de preservar a visão. Antes que a cegueira se instale completamente, é possível paralisar a doença. O tratamento mais comum é feito com colírio, que age baixando a pressão intra-ocular. Às vezes, são indicados tratamentos com laser e, em alguns casos, pode ser necessária a intervenção cirúrgica, que constrói uma espécie de canal de escoamento para o humor aquoso. Copyright © 2000 eHealth Latin America

Um terço dos casos de câncer de garganta é causado por HPV

23 de julho de 2013 (Bibliomed). O papilomavírus humano (HPV), além de ser a principal causa do câncer de colo do útero, é responsável por um terço dos casos de câncer de garganta. A afirmação parte de pesquisadores norte-americanos e britânicos. O estudo envolveu 638 participantes, dos quais, 180 tiveram câncer oral, 135 de orofaringe, 247 de hipofaringe/laringe e 300 de esôfago. Além desses, foram selecionados 1.599 controles. Foram coletadas amostras de plasma pré-diagnóstico em média seis anos antes do diagnóstico de câncer. Os participantes do grupo controle foram analisados para anticorpos contra várias proteínas de HPV 16, bem como de HPV6, HPV11, HPV18, HPV31, HPV33, HPV45 e HPV52. Ao final do estudo, os pesquisadores detectaram a presença de uma das principais proteínas do HPV, conhecida como E6. A proteína desativa o sistema de proteção das células, que previne contra o câncer, mas a detecção de anticorpos que indicam a presença de HPV superara as defesas. Publicado no Journal of Clinical Oncology, o estudo mostrou que 34,8% das pessoas com câncer de garganta tinham os anticorpos do HPV, em comparação com 0,6% das pessoas sem tumores. Os resultados indicaram que a infecção pelo HPV-16 pode ser uma causa significativa do câncer da orofaringe, na parte do meio da faringe, para trás da boca, que inclui um terço da língua, palato mole, as paredes laterais e traseiras da garganta e amígdalas. Dos mais de 100 tipos de HPV existente, duas linhagens, HPV-16 e HPV-18, são os responsáveis por causar câncer de colo do útero e câncer oral. Fonte: Diário da Saúde, 21 de julho de 2013

Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais - 28 de julho

Na maioria das vezes a doença apresenta poucos sintomas e, às vezes, só é diagnosticada em exames de rotina, ou durante a investigação de um quadro inespecífico. Poucos são os casos que evoluem para uma forma aguda grave, podendo levar à morte. A importância da cronificação da doença é o potencial para o desenvolvimento de cirrose hepática e, posteriormente, câncer de fígado. Causas Como já dito, são várias as causas de hepatite. Vamos repassar as mais importantes, lembrando que as infecções virais são as principais causas de hepatite, na maior parte do mundo. • Hepatite por vírus A: esse vírus é eliminado nas fezes e seu modo de transmissão é chamado fecal-oral, ou seja, ingestão de água e/ou alimentos contaminados. Por isso, essa forma de hepatite é bastante comum em países menos desenvolvidos e em locais com precárias condições de higiene e saneamento básico. Acomete principalmente crianças, na faixa etária entre dois e seis anos, mas qualquer indivíduo pode ter a doença, caso ainda não tenha tido. Devemos ressaltar que quando os sintomas aparecem, o vírus já está começando a desaparecer das fezes, isto é, a fase de maior transmissibilidade já está terminando. Mesmo assim, recomenda-se um período de isolamento (não ir à escola, creche, etc) de mais ou menos sete dias, a partir do início dos sintomas. Em raros casos pode evoluir de forma grave, com hepatite fulminante. Por isso, pode apresentar-se em surtos, epidemias. Uma característica de extrema importância: esse tipo de hepatite não se cronifica. • Hepatite por vírus B: o modo de transmissão desse vírus é através do uso compartilhado de seringas e agulhas (entre usuários de drogas), relação sexual sem preservativo, acidentes pérfuro-cortantes (como durante cirurgias) e durante o parto, quando a mãe pode transmitir o vírus para o recém-nascido. Uma forma de transmissão comum no passado era a transfusão de sangue. Na forma aguda, pode evoluir mais frequentemente que a hepatite A com hepatite fulminante, podendo levar à morte. Apresenta importante taxa de cronificação da doença, pois o vírus fica latente no organismo, mesmo que o indivíduo não sinta sintomas. Assim, esse tipo de hepatite apresenta evolução para cirrose e também para câncer de fígado. O risco de cronificação depende da idade em que a pessoa foi infectada, de forma que em adultos, mais ou menos 10% evolui para a cronicidade, enquanto em recém-nascidos infectados durante o parto, essa taxa chega a 90%. Daí a importância do acompanhamento pré-natal e da vacinação. • Hepatite por vírus C: o modo de transmissão é semelhante ao do vírus B, porém a transmissão durante o parto é bem menor. Antigamente era considerada a principal causa de hepatite transmitida por transfusão de sangue, mas atualmente existem exames bastante eficazes na realização de triagem das amostras em bancos de sangue, o que diminuiu a transmissão. Apresenta também potencial para desenvolvimento de formas crônicas. • Hepatite por vírus D: o modo de transmissão é o mesmo do vírus B, e esse tipo de hepatite só ocorre em indivíduos infectados pelo vírus B, pois o vírus D precisa dele para poder multiplicar-se. • Hepatite por vírus E: o modo de transmissão é o mesmo do vírus A. Ocorre em países menos desenvolvidos, em formas de epidemias. Em grávidas, pode levar mais comumente a formas graves. • Hepatite alcoólica: relacionada ao uso abusivo de qualquer bebida alcoólica, sendo a quantidade necessária variável de pessoa para pessoa. Quanto maior o tempo de ingestão, maior o risco de hepatite e cirrose hepática. • Hepatite medicamentosa: o desenvolvimento de hepatite pelo uso de medicamentos vai depender da dose utilizada e da suscetibilidade individual. Vários medicamentos de uso comum podem causar hepatite, como: paracetamol (o principal, especialmente na Inglaterra), eritromicina, tetraciclina, anabolizantes, amiodarona (usado para tratar arritmia cardíaca). • Hepatite auto-imune: uma doença auto-imune é aquela na qual o sistema imunológico ataca células do próprio corpo, causando inflamação. Por que isso ocorre não se sabe. • Outras: doenças hereditárias, como a hemocromatose (acúmulo de ferro no organismo), doença de Wilson (acúmulo de cobre no organismo); acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) não relacionado ao álcool. Sintomas Nas hepatites virais, existe um período inicial sem sintomas (período de incubação), no qual o vírus está se multiplicando no organismo. Esse período é variável e, logo depois, começam a surgir os sintomas. Inicialmente, o paciente apresenta um quadro semelhante a uma gripe, com febre, náuseas e vômitos, mal-estar, dores no corpo, falta de apetite e desânimo. O paciente pode apresentar também dores nas juntas. O sintoma mais típico de hepatite é a chamada icterícia (amarelão, "tiriça"), caracterizada por coloração amarelada da pele, dos olhos e das mucosas. Ela pode se acompanhar de urina escura ("cor de coca-cola") e fezes descoradas. Porém, a icterícia não ocorre em todos os pacientes. Na maioria dos casos de hepatite viral aguda, o quadro é leve e resolve-se espontaneamente; mas em alguns casos pode apresentar gravidade, evoluindo com confusão mental e outros sintomas, caracterizando a hepatite fulminante. A hepatite C geralmente não apresenta fase aguda, e o indivíduo só descobre que é portador do vírus em exames de rotina. As outras causas de hepatite apresentam quadros bastante específicos, muitas vezes parecidos aos de hepatite viral aguda acrescido de outros sintomas especiais. No caso da hepatite alcoólica, é evidente a história de alcoolismo crônico e pesado. A hepatite auto-imune é mais comum em mulheres e as pacientes podem apresentar comprometimento de outros órgãos, determinando sintomas variados. As doenças hereditárias são raras. Não é raro que essas formas não-virais de hepatite, e mesmo as virais, sejam descobertas apenas quando o fígado já está cronicamente acometido, algumas vezes já com cirrose hepática. Diagnóstico Na presença de sintomas característicos, o indivíduo deve procurar o médico. Durante a entrevista, o médico vai pesquisar os fatores de risco associados ao desenvolvimento de algum tipo específico de hepatite. Devemos lembrar que o quadro muitas vezes é bastante inespecífico e, como em muitas vezes não ocorre icterícia, o diagnóstico pode ser confundido com outras doenças, como a gripe. Geralmente, o diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais. Com eles, podemos investigar se há lesão do fígado, o tipo de vírus que possivelmente está causando a inflamação, se existe doença auto-imune. Em alguns casos de dúvida, o médico pode solicitar uma biopsia hepática, que consiste na retirada de um pedaço do fígado, com o uso de uma agulha introduzida através da pele após anestesia local. Esse fragmento é analisado por patologista, que pode sugerir a causa da doença. Tratamento O tratamento depende da causa da hepatite. Nas hepatites virais agudas, indica-se apenas repouso relativo (com restrição de atividades físicas), dieta balanceada e medicamentos para dor e febre, caso ocorram. Na hepatite viral crônica, existem alguns tratamentos específicos, indicados em alguns casos, que permitem a erradicação do vírus e redução do risco de cirrose e câncer. Na hepatite auto-imune, utilizam-se medicamentos chamados corticóides, capazes de reduzir a inflamação. Nas hepatites alcoólica e medicamentosa, recomenda-se a suspensão do uso do agente causador. Nas doenças por acúmulo de ferro e cobre recomenda-se à restrição dietética e o uso de certos medicamentos que ajudam a reduzir o depósito desses metais. Nos casos de hepatite fulminante, o tratamento é de suporte e, geralmente, o transplante hepático de urgência é necessário para a cura. Prevenção Existem várias medidas eficazes na prevenção da doença, como: • Vacinação, no caso das hepatites por vírus A e B; • Uso de água tratada ou fervida; • Lavar bem legumes, frutas e verduras; • Lavar bem as mãos após usar o toalete e antes de preparar os alimentos e de se alimentar; • Não compartilhar seringas e agulhas; • Uso de preservativo nas relações sexuais; • Uso de material de proteção, por profissionais de saúde; • Acompanhamento pré-natal para aconselhamento adequado e prevenção da transmissão; • Evitar uso abusivo de álcool, medicamentos e drogas. Copyright © 2012 Bibliomed, Inc. Publicado em 23 de maio de 2011 Revisado em 23 de julho de 2012

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Computador mais barato do mundo poderá ter fábrica no Brasil

O Raspberry Pi, o computador mais barato do mundo, poderá ser fabricado no Brasil para baratear o preço do produto no país. O RasberryPi é vendido por US$ 35 (R$ 78) no Reino Unido, mas chega ao Brasil custando US$ 85, cerca de R$ 189. "As taxas de importação do Brasil são quase proibitivas", disse Eben Upton, diretor-executivo do Raspberry Pi Foundation. "Por isso, se conseguirmos produzir o Pi por lá, tornaremos o produto muito mais acessível e poderemos também facilitar a distribuição para toda a América Latina." Upton diz considerar a região como um mercado prioritário para a distribuição do computador. Sem fornecer números precisos, Upton disse que atualmente vende "algumas milhares" de unidades do computador no Brasil, o que ele considera pouco diante do tamanho da população, renda média e "entusiasmo dos brasileiros por tecnologia." Ele afirma que ainda está no estágio de reconhecimento do mercado e que ainda não negociou com possíveis parceiros a fabricação do Pi no Brasil. Raspberry PI O Raspberry PI é um computador de uma placa só, do tamanho de um cartão de crédito, que não possui teclado, mouse, ou monitor. O Pi, como é carinhosamente conhecido, tem um sistema operacional baseado em Linux, que pode ser trocado por outro software de código aberto. Segundo Upton, a ideia principal por trás do Raspberry Pi é fomentar a educação. "Não estamos produzindo engenheiros de computação suficiente no Reino Unido, ou no planeta. Por isso pensamos que poderíamos criar um novo dispositivo para produzir uma nova geração de entusiastas de programação," disse Upton. Upton diz que o software da placa é atualizado em média a cada dois meses e que não haverá uma nova versão do computador nos próximos dois anos. "Não queremos que as pessoas invistam dinheiro e esforços em um produto que irá expirar em breve. Ainda há espaço suficiente para crescer com o modelo atual, e desafios para serem superados." Ao nomear sua criação como Raspberry Pi (ou "Framboesa Pi" em português), os fundadores buscaram continuar a tradição de empresas de informática que usam frutas como um nome, como Apple (Maçã) e BlackBerry (Amora). "Raspberry (framboesa) parecia uma fruta divertida, e projetava a imagem que queríamos. E Pi (além de sua referência ao número) foi uma homenagem à linguagem de programação Python, uma das mais educativas que existe," explicou Upton. "Espero que em cinco anos ela se torne uma plataforma verdadeiramente útil para que as pessoas façam o que quiser com ela. E espero que o Raspberry Pi esteja presente em muitas casas em países em desenvolvimento," completou. Caridade tecnológica Mas apesar de seu tamanho, é um sucesso de vendas para a organização sem fins lucrativos que o criou. "Até pouco antes do lançamento, nossa ambição era vender mil unidades," disse Upton. "Mas logo antes de lançar, suspeitamos que não seria suficiente, e que teríamos uma demanda maior do que esperávamos." O maior problema da organização era que eles não estavam preparados para atender uma grande demanda, nem teriam a capacidade de fabricar milhões de unidades em pouco tempo. "Nós somos uma organização de caridade, não temos muito dinheiro. Não podemos pegar investimento privado, nem vender ações na bolsa de valores", diz Upton. "Por isso mudamos o modelo operacional e nos tornamos uma empresa que licencia o uso da criação." Assim, com parceiros a bordo, o projeto foi capaz de receber uma boa notícia: 100 mil unidades vendidas no primeiro dia de lançamento, 29 de fevereiro de 2012, e mais de um milhão até o momento. Curiosamente, contou o fundador, 70% das vendas foram fora do Reino Unido, principalmente nos Estados Unidos. Cérebro para robôs Duas coisas surpreenderam Upton desde o lançamento do aparelho. Uma delas é o fato de que as pessoas estão usando o Raspberry Pi como uma parte central de novos equipamentos, principalmente de robôs. "Achávamos que as inovações viriam mais do lado de software." A segunda surpresa foi que, apesar de ter sido criado pensando na educação de jovens e crianças, outras pessoas estão usando o computador. "Pessoas estão se juntando e estão fazendo coisas muito engraçadas com ele". "Isso pode ser explicado porque, no Reino Unido, há uma longa tradição de ver a computação como algo divertido, algo que você pode usar para inovar e criar coisas incríveis", concluiu Upton. Escolas O projeto para levar o Raspberry Pi às escolas também está progredindo. O escritório do Google no Reino Unido, por exemplo, concedeu um subsídio de US$ 1 milhão para distribuir o computador em milhares de escolas. Ao contrário do projeto One Laptop Per Child ("Um computador por criança" em tradução livre), criado por duas ONGs norte-americanas para supervisionar a facilitação de dispositivos educacionais para países em desenvolvimento, o Raspberry não trabalha com governos, mas com as comunidades e escolas que vêm a eles, criando uma rede de entusiastas que acreditam no produto. BBC

Brasil sediará conferência internacional sobre adaptação às mudanças climáticas

Promovida pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pelo Programa das Nações Unidas para Estudos sobre Vulnerabilidades, Impactos e Adaptações às Mudanças Climáticas (PROVIA, na sigla em inglês), a conferência Adaptation Futures 2014será de 12 a 16 de maio do próximo ano em Fortaleza (CE). O evento reunirá especialistas de vários países para apresentar o avanço da ciência na área de adaptação frente a um mundo mais quente, considerando os desafios, impactos e vulnerabilidades. Políticas governamentais de combate à seca, por exemplo, devem ser discutidas entre gestores e cientistas. A conferência Adaptation Futures 2014 possui cinco temas centrais: Impactos das mudanças climáticas nos diferentes setores e implicações para adaptação; Relação entre adaptação e desenvolvimento para o bem-estar humano; Abordagens integradas em diferentes níveis (local até global) frente a um mundo 4°C mais quente; Adaptação ao Limite; e Compreendendo e comunicando adaptação. A submissão de trabalhos para apresentação durante a conferência Adaptation Futures 2014 pode ser realizada até 15 de novembro.

Uso de nanotecnologia prevê o fim de comprimidos e agulhas

A nanociência, representada em filmes como o Homem de Ferro 3 e A Viagem Fantástica, deixou as telas de cinema para tornar-se realidade, por exemplo, na pesquisa de novos medicamentos para tratamento de diabetes, dores crônicas, náuseas, hipertensão e anticoncepcionais. Em 1940, o cientista Albert Sabin, criador da vacina contra a poliomielite, já pesquisava o uso de nanopartículas de ouro no tratamento de reumatismo. A tecnologia avançada permitirá que pacientes não precisem mais ingerir medicamentos em forma de comprimidos ou aplicar injeções. Já estão no mercado os remédios transdérmicos, administrados por aplicações diretas ou por adesivos que liberam a substância de modo constante. A principal vantagem é a de eliminar ou reduzir os efeitos colaterais. “Em pouco tempo não vamos precisar tomar mais nada por via oral. No futuro todos os medicamentos serão transdérmicos. Quando a pessoa estiver com dor de cabeça, vai passar o medicamento na têmpora e a dor vai melhorar. No futuro, não vai precisar mais engolir um remédio”, explica o professor de biotecnologia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Marco Botelho. Segundo Botelho, há estudos para que a aplicação de insulina em pacientes com diabetes dispensem o uso de agulha para dar lugar ao remédio transdérmico. O tratamento de tumores também pode ser beneficiado, com o uso de medicamentos inteligentes, em doses muito menores, que reconhecem e atacam diretamente o tecido doente. Tudo isso é fruto da nanotecnologia, explicou. O avanço nos estudos da ciência também abriu caminho para os nanocosméticos. Atualmente, o setor empresarial já oferece produtos de preenchimento de rugas por meio de micropartículas de rejuvenescimento, protetor solar mais potente e maquiagem com brilho diferenciado. A Agência Brasileira de Inovação – antiga Finep – tem em curso, uma chamada pública no valor de R$ 30 milhões para o desenvolvimento de produtos ou processos inovadores. O edital voltado para a nanotecnologia, prevê R$ 8 milhões em pesquisas na área higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. De acordo com o coordenador de micro e nanotecnologias do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Flávio Plentz, o Brasil é o segundo mercado de produtos cosméticos e de higiene pessoal no mundo. “É uma área de muito sucesso. Temos várias empresas produzindo e comercializando produtos na área de nanocosméticos. Tem muitos grupos de pesquisas ativos e é uma área que tem impacto econômico muito grande”, analisa. No país, o grupo Boticário investe 2,5% de seu faturamento anual em pesquisas na área de nanotecnologia. A empresa trabalha com estudos no setor desde 2002 e já tem no mercado produtos anti-idade e filtros solares que atuam na redução de rugas. “Com a evolução das pesquisas, chegamos também ao pioneirismo da triplananotecnologia, que tem como diferencial a chamada “liberação direcionada”, ou seja, as minúsculas partículas de ingredientes ativos penetram nas diferentes camadas da pele de acordo com a necessidade de cada uma delas”, explica o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do grupo, Richard Schwarzer. (Fonte: Agência Brasil)

10 intrigantes fatos sobre a água da Terra

Se alguém pergunta: “qual é a substância mais importante que existe?”, a resposta mais óbvia é “a água”. Não só ela é diretamente responsável pela nossa existência, como perfaz a maior parte do corpo humano – precisamos dela para sobreviver. Com base em quão abundante parece ser, é fácil esquecer que na maioria das vezes é um dos recursos mais escassos (pelo menos quando se trata de água potável), ainda mais quando deixamos a atmosfera da Terra rumo a imensidão do espaço. Confira uma lista com alguns dos fatos mais interessantes sobre esse líquido e o papel que desempenha em nosso planeta: 10. A Terra não tem tanta água quanto provavelmente você acha que tem. É fato que mais de 70% da superfície da Terra é coberta por água; o Oceano Pacífico, sozinho, cobre metade do globo. No entanto, na maior parte da superfície, ela não passa de uma película relativamente fina. Um estudo recente publicado pela U.S. Geological Survey (Serviço Geológico dos EUA) mostra que se reuníssemos toda a água da Terra (oceanos, rios, lagos, lenções freáticos e calotas de gelo) em uma única esfera, ela teria um diâmetro de 1.384 km, um pouco mais que a distância do Rio de Janeiro – RJ a Salvador – BA, ou o tamanho de um planeta anão como o Sedna (um dos muitos objetos trans-netunianos), e teria um volume de 1,386 bilhão de quilômetros cúbicos. Além disso, a quantidade de água doce é muito menor: sua esfera teria um diâmetro de 272,8 km – 4 vezes menor em diâmetro e 50 vezes menor em volume. Essa segunda esfera inclui as geleiras. A terceira esfera, com apenas lagos de água doce e rios, teria uns 90 km de diâmetro. 9. A lua Europa tem mais água que a TerraAntigamente, os astrobiólogos achavam que a Terra era a maior fonte de água do sistema solar, algo hoje reconhecido como falso. Quando na década de 90 a sonda Galileu investigou o sistema de luas de Júpiter, descobriu que uma delas tinha uma massa de água maior que o esperado. A notícia repercutiu pelo mundo e, de uma gélida lua, Europa se tornou uma sensação no mundo dos astrobiólogos como potencial morada para a vida extraterrestre. Sua água está na forma de uma espessa crosta de gelo rachada, onde podem se formar lagos subglaciais perto da superfície, parecidos com o famoso lago Vostok, explorado na Antártida. E os estudos indicam também um oceano colossal de água líquida abaixo da crosta de gelo. Mesmo sendo menor que a lua e umas 50 vezes menor que a Terra, toda a água de Europa daria uma esfera de 1.754 km, duas a três vezes maior que toda a massa líquida da Terra. Outros mundos parecem ter ainda mais. Titã, lua de Saturno, teria uma massa maior de água que a Terra e Europa, enquanto o planeta Netuno poderia ter em seu manto uma massa colossal de vários planetas Terras em forma de água, segundo modelos teóricos para a estrutura dos gigantes gasosos distantes. No sistema solar exterior, a presença de água em mundos como luas e planetas anões não é uma pequena fração como na Terra, mas tão ou mais substancial que a própria rocha. 8. Nosso abastecimento de água veio provavelmente de cometas e asteroides Meteorito Não temos uma resposta exata sobre a origem da água na Terra, mas o modelo científico mais aceito indica que ela veio por um bombardeio de cometas. Neste cenário, a primeira parte da história é que muito de nosso abastecimento de água existiu no período de formação dos planetas, quando o material que os compõe começou a se fundir no disco protoplanetário do sistema solar em formação ao redor do jovem sol. Enquanto planetas rochosos se formavam no sistema solar interior, o calor das rochas fundidas teria feito todas as massas de água evaporarem e escaparem da gravidade para o espaço, se aglutinando na forma de cometas e asteroides – no fim, a gravidade dos planetas se encarregou de arremessá-los para longe do espaço planetário, onde permaneceram inertes por bilhões de anos. A segunda parte vem no Intenso Bombardeamento Tardio, quando um fenômeno gravitacional iniciou um processo de envio de muitos desses objetos gelados na direção do sistema solar interior, tendo muitos deles caído na Terra. Com isso, uma massa imensa de água se formou em nosso planeta, com a ajuda da pressão atmosférica da Terra. Boa parte dos materiais orgânicos daqui provavelmente vieram para a Terra da mesma maneira, dando origem à vida. 7. Micrometeoritos caem na Terra sobre a forma de chuva Estima-se que em torno de 10 mil toneladas de micrometeoritos caem na Terra todos os dias, sendo muitos deles pequenos pedaços de rocha por vezes com pequenas frações de ferro, que cruzam nosso caminho. Acredita-se que a maioria desses pequenos viajantes, que consiga sobreviver ao atrito com a atmosfera que incinera objetos entrantes, acaba ficando presos na atmosfera superior e passe realmente a fazer parte dela. Em um dado momento, eles se misturam com o vapor de água, aglomerando-se e depois caindo sobre a superfície na forma de chuva. Então, na próxima vez que molhar-se numa chuva de verão, saiba que pode estar em contato com bilhões de pequenas partículas de poeira estelar, restos da formação planetária, talvez pedacinhos de Marte ou da lua. 6. Há mais de 10^30 vírus nos oceanos do mundo Através de sua pesquisa, Curtis Suttle (da Universidade de British Columbia) passou um tempo significativo a contar fisicamente o número de vírus localizados em várias partes do oceano. Em última análise, ele concluiu que cada litro de água do mar contém cerca de 3 bilhões de vírus. Considerando o fato de que os geólogos estimam que o oceano contém cerca de 1,3×1021 litros de água, devemos ter cerca de 4 E 30 (4 seguido de 30 zeros) vírus ao todo. Uma curiosidade é que se pudéssemos empilhar esse número colossal de seres microscópicos, cobriríamos algo como 10 milhões de anos-luz – uma medida mais que astronômica, galáctica. Uma ano-luz equivale a 9,46 trilhões de km. A nossa galáxia, a Via Láctea, tem 100.000 anos-luz de diâmetro. 10 milhões de anos-luz daria o diâmetro do Grupo Local de Galáxias, que abrange 35 galáxias, entre elas a nossa. 5. A vida pode sobreviver em regiões “inabitáveis” do fundo do mar A maioria de nós mantém uma boa ideia das variáveis necessárias para nossa sobrevivência – água, alimentos, oxigênio, luz solar… – tudo isso geralmente considerado imperativo para a nossa forma de vida. Imagine a surpresa dos biólogos quando vida foi descoberta ao explorarem alguns dos mais profundos lugares de nosso planeta, onde as condições são mais adversas que quaisquer outras localidades já vistas. As formas de vida encontradas são comparáveis a potenciais formas alienígenas. Algumas delas, como os vermes-tubo, são criaturas de três metros de comprimento, sem olhos, bocas ou intestinos. Outros, como bactérias que forma encontradas dentro de fontes hidrotermais, vivem a mais de 2.000 metros abaixo do nível do mar – onde não só há ausência de luz solar, como a pressão é substancialmente maior do que se poderia experimentar na superfície, e as temperaturas podem exceder os 400 graus Celsius. Para sobreviver, algumas formas de vida extraem energia a partir do sulfeto de hidrogênio proveniente das fontes hidrotermais, num processo chamado “síntese química”. Na parte mais profunda do oceano, na Fossa das Marianas, além de outros seres foi encontrada uma peculiar ameba gigante, com 10 centímetros. Esses seres vivem a quase 11 quilômetros de profundidade com uma pressão 1.100 vezes maior que a da atmosfera ao nível do mar. A vida nesses estremos obscuros tem sido uma grande esperança para a procura por formas de vida extraterrestre em mundos com oceanos obscuros como Europa, a lua de Júpiter citada no item 9. 4. Há mais moléculas em um litro de água que litros de água no oceano Se você despejasse uma garrafa de água no oceano, e viajasse para o outro lado do mundo para pegar água do oceano com essa mesma garrafa, qual a chance de pegar ao menos uma molécula da mesma água que despejou anteriormente? Provavelmente nula, dada a imensa quantidade de água em um oceano. Na verdade, as chances são muito boas (na casa dos dígitos quádruplos) de que você não só encontre uma molécula idêntica de água: cerca de 8.000 exatamente. Mas como? Um litro de água tem um monte de moléculas nele. Na verdade, há mais moléculas em um litro de água do que litros de água em todos os oceanos da Terra. Por conta disso, as chances são boas de encontrar não apenas uma, mas dígitos quádruplos de moléculas idênticas (cerca de 8.000). Esses números são discriminados aqui. Importante lembrar que isso é apenas um teste de lógica numérica, que não deve ser levado ao pé da letra. 3. Algumas das moléculas de água que consumimos já foram bebidas por dinossauros Como vimos desde as séries fundamentais, a água tem um ciclo bastante complexo: é consumida por seres vivos, devolvida a terra, evaporada, forma nuvens, precipita nas chuvas – obviamente, isso não é tudo, mas é um bom resumo do que acontece. Isso essencialmente significa que a água é constantemente reciclada. No entanto, as moléculas por si próprias mudam de estado (sólido, líquido e gasoso) o tempo todo. Embora, como na fotossíntese ou na radiação, elas possam ser separadas em suas partes constituintes – hidrogênio e oxigênio, na maior parte das fases dos ciclos, elas permanecem as mesmas, e já encontramos vários leitos de rios antigos que contém moléculas de água com milhões de anos de idade, quando dinossauros ainda andavam por aí. Uma vez sabido que moléculas são pequenas e numerosas, passam por vários ciclos e processos na natureza, podemos calcular a quantidade de água que herdamos da época dos dinossauros. Segundo os cientistas, as plantas consomem 12 trilhões de quilos de água por ano, de uma quantidade de 1.400 bilhões de bilhões de quilos; assim, a maioria das moléculas de água é separada a cada 100 milhões de anos. Considerando que a distância entre nós e os dinossauros é 65 milhões de anos, as estimativas dizem que mais da metade das moléculas de nossa água (uns 57%) eram ingeridas por eles. Ou, para quem preferir, algumas das moléculas mais recentes em seu copo d’água passaram através da bexiga de Einstein, Shakespeare, Cleópatra, Issac Newton e talvez até Confúcio. 2. Se a Terra parasse de girar, toda a nossa água iria para os pólos Entre outras coisas terríveis que aconteceriam se a Terra parasse de girar, toda a água se acumularia nos pólos. Isso aconteceria porque a migração oceânica cessaria, e toda a água se deslocaria da parte equatorial para as polares. A rotação é um elemento fundamental da formação planetária, pois equilibra o campo magnético e dá movimento as massas oceânicas e atmosféricas. Dois super oceanos nos pólos gélidos e sem chão pra pisar, e equador seco de um lado pelo calor solar, e congelado do outro por uma noite de meio ano é o que uma Terra sem giro causaria. 1. Super Barragens podem frear a rotação da Terra Talvez alguns não achem o assunto mais interessante dessa lista, mas certamente é de grande importância. É necessário uma discussão em torno dos impactos ambientais de algumas tecnologias modernas. Durante os últimos 40 ou 50 anos, temos visto uma concentração significativa em formas de geração de energia. Um avanço que tem sido massivo está na forma de barragens hidrelétricas, que apesar de geralmente caras, são uma fonte de energia limpa. A princípio, parece um bom investimento, mas logo surgem preocupações surpreendentes, como o fato de que elas podem alterar a rotação orbital do planeta. O maior exemplo é a Three Gorges Dam, Barreira das Três Gargantas, na China. É uma barreira peso-pesado que, quando cheia, contém 42 bilhões de toneladas de água – um volume de 39 km³, na capacidade total. Esta grande mudança na distribuição de massa em relação à rotação da Terra tem aumentado o tempo de um dia em 0,06 microsegundos. Isso com apenas essa barreira, sem contar as outras superbarragens que existem no globo. Certamente, 60% de um microsegundo não parece muito, mas a soma futura de várias barragens operantes simultaneamente pode trazer consequências maiores. Associadas a outros fenômenos naturais responsáveis pela gradual freagem da rotação, como o afastamento da lua, esses números podem passar a ser significativos. [FromQuarksToQuasar]

10 sinais de que você pode estar com mal de Alzheimer

Esquecer um aniversário ou ter dificuldade para trabalhar com uma planilha de dados é normal, mas quando situações como essas se tornam frequentes demais, talvez seja hora de procurar um médico. Para ajudar a identificar possíveis sinais da doença de Alzheimer, a equipe do alz.org listou 10 possíveis sintomas da condição, que não devem ser confundidos com dificuldades “normais”. Como é ter Alzheimer? 1. Perda de memória frequente Esse é um dos sintomas mais comuns da fase inicial da doença: a pessoa passa a se esquecer constantemente de datas importantes e de novas informações, além de criar uma dependência muito grande de lembretes. O que não é sintoma: esquecer-se ocasionalmente de algo, mas se lembrar depois. Vale notar que perda de memória não é tão comum na velhice como se pensa; problemas de memória em pessoas mais velhas, ao contrário do que se pensou por muito tempo, não são uma parte “normal” do envelhecimento. 2. Dificuldade excessiva em solucionar problemas Algumas pessoas têm dificuldade natural em fazer planos ou lidar com números, mas quem tem mal de Alzheimer sofre ainda mais com isso. O que não é sintoma: atrapalhar-se de vez em quando na hora de fazer cálculos. 3. Dificuldade em executar tarefas cotidianas Fazer o mesmo caminho de sempre até o trabalho, lembrar o que deve ser escrito em um relatório semanal ou recordar as regras do seu jogo favorito pode se tornar difícil quando a pessoa começa a desenvolver mal de Alzheimer. O que não é sintoma: precisar, ocasionalmente, de ajuda para mexer com um eletrônico.4. Confusão de tempo e local Perder-se constantemente em datas e horários e se esquecer o caminho que percorreu até determinado local são sinais preocupantes. O que não é sintoma: confundir vez ou outra o dia da semana, mas se lembrar rapidamente. 5. Problemas em entender imagens e dimensionar espaço Uma pessoa com mal de Alzheimer pode ter sérias dificuldades em perceber distâncias e em compreender figuras. Às vezes, podem não reconhecer o próprio reflexo, passar diante de um espelho e achar que viram outra pessoa. O que não é sintoma: desenvolver problemas de visão por causa da idade. 6. Problemas sérios de comunicação Palavras “fogem” e a pessoa interrompe as próprias falas sem conseguir dar continuidade depois. O que não é sintoma: não encontrar, às vezes, a palavra mais apropriada para expressar uma ideia. 7. Guardar coisas em lugar errado Confusa, a pessoa pode guardar no banheiro as chaves do carro ou largar o celular no banco do jardim e ter dificuldade para refazer a trajetória até o objeto perdido. O que não é sintoma: perder objetos de vez em quando. 8. Imprudência ou falta de equilíbrio em decisões Ao lidar com dinheiro, a pessoa pode acabar gastando quantias que normalmente não gastaria, por exemplo. O que não é sintoma: tomar ocasionalmente uma decisão ruim. 9. Evitar interações sociais Alterações causadas pela doença podem fazer com que a pessoa desista de hobbies, projetos, esportes ou compromissos familiares. O que não é sintoma: não se sentir disposto de vez em quando a sair de casa. 10. Mudança de personalidade O mal de Alzheimer pode fazer com que uma pessoa normalmente calma se torne impaciente, ou que passe de alegre a triste. Fugir da zona de conforto se torna muito mais difícil do que o normal. O que não é sintoma: criar rotinas e se incomodar ao ter que quebrá-las. [Alz.org]

Encontrada segunda "dupla hélice" no corpo humano

A chamada "dupla hélice" do DNA - uma estrutura em formato de parafuso - sempre impressionou os cientistas pela eficiência dessa forma de guardar muitas informações em pouco espaço. Assim, seria de espantar que a natureza tivesse usado uma solução tão engenhosa apenas uma vez. Finalmente, graças ao aprimoramento das técnicas de microscopia, acaba de ser encontrada a segunda "dupla hélice" no organismo humano. Dupla hélice do retículo endoplasmático A técnica de enrolamento foi encontrada no retículo endoplasmático, a fábrica de proteínas existente no interior das células. Até agora se acreditava que o retículo endoplasmático fosse formado por uma série de folhas empilhadas, onde cada folha seria uma membrana cravejada com as moléculas que formam as proteínas. O novo método de imagens de microscopia, contudo, revelou uma estrutura 3D, onde as folhas se unem, organizando-se de forma semelhante a uma garagem com rampas helicoidais para ligar os diferentes níveis. Esta estrutura permite o empacotamento muito denso das folhas do retículo endoplasmático, maximizando a quantidade de espaço disponível para a síntese de proteínas dentro dos pequenos limites de uma célula. "A geometria do retículo endoplasmático é tão complexa que os seus detalhes nunca foram totalmente descritos, mesmo agora, 60 anos depois de sua descoberta," comenta Mark Terasaki, da Universidade de Connecticut (EUA), um dos autores da descoberta. "Nossos resultados poderão levar a novos insights sobre o funcionamento desta importante organela." Estacionamento dinâmico Esta estrutura de garagem otimiza o empacotamento, maximizando o número de moléculas que sintetizam proteínas - os ribossomos. Quando a célula necessita produzir mais proteínas, ela pode reduzir as distâncias entre as folhas - imagine esse mecanismo como um estacionamento que pudesse adicionar mais níveis quando começasse a ficar cheio. Diário da Saúde

Seja alegre e fique saudável

Adotar uma perspectiva positiva em relação à vida tem um efeito direto na redução de eventos potencialmente fatais, como ataques cardíacos. O resultado é que pessoas com temperamento alegre são significativamente menos propensas a sofrer um evento coronariano, o que resulta diretamente em um aumento na longevidade. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que as pessoas deprimidas e ansiosas são mais propensas a ter ataques cardíacos - e morrer por causa deles - do que pessoas com disposição mais otimista. Mas, como essas comparações são sempre feitas contra uma média, os pesquisadores queriam saber se uma sensação geral de bem-estar - sentir-se alegre, descontraído, cheio de energia e satisfeito com a vida - teria um efeito positivo real sobre a saúde cardíaca. Foi o que o que eles confirmaram além de qualquer suspeita. Alegria no coração "Se você é, por natureza, uma pessoa alegre e olha para o lado positivo das coisas, você está mais protegido dos eventos cardíacos," conta a Dra. Lisa Yanek, da Universidade Johns Hopkins (EUA). "Um temperamento mais feliz tem um efeito real sobre a doença e, como resultado, você se torna mais saudável." É claro que muitos podem argumentar que as pessoas que têm a sorte de ter características pessoais tão positivas também são mais propensas a cuidar melhor de si mesmas e ter mais energia para fazer isso. Yanek diz que o trabalho levou esse argumento em consideração, mas sua pesquisa mostrou que as pessoas com níveis mais elevados de bem-estar também apresentam muitos fatores de risco para as doenças coronarianas - ainda assim, elas tiveram menos eventos cardíacos graves. O bem-estar positivo dos participantes foi associado com uma redução de 33% dos eventos coronarianos. Entre aqueles considerados com maior risco para as doenças cardíacas, houve uma redução de quase 50% nos eventos graves. Os resultados levaram em conta outros fatores de risco de doenças cardíacas, tais como idade, tabagismo, diabetes, níveis elevados de colesterol e pressão arterial elevada. O acompanhamento dos voluntários foi feito durante 12 anos. Mente e corpo Apesar da constatação inquestionável, os pesquisadores admitem que os mecanismos por trás do efeito protetor do bem-estar positivo ainda terão que ser desvendados - quais moléculas são ativadas e como elas atuam no sistema circulatório etc. Adiantando sua própria interpretação, a Dra Yanek observa que a pesquisa oferece insights sobre as interações entre mente e corpo, e pode fornecer pistas para estudar esses mecanismos. Diário da Saúde

Para Raupp, investir em ciência é base de desenvolvimento sustentável

A ciência é o caminho para conseguir um desenvolvimento sustentável de longo prazo e também minimizar as disparidades sociais no Brasil. A parceria entre entidades públicas e privadas são essenciais nesse processo, defende o ministro de Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, que fez a conferência de abertura da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC), com a palestra “Conquistas recentes e novos desafios”, no Teatro da UFPE, no Recife, nesta segunda-feira (22). Defendendo o investimento em ciência e tecnologia como política de governo, o ministro afirmou em conversa com o G1 que é preciso que as empresas também entrem nesse investimento. “Apoiar a ciência deve ser uma política de estado, em todas as esferas, com a cooperação entre o ministério e os governos. Temos que incentivar também que as empresas invistam, pois elas têm interesse em inovação, esse é o caminho para a competitividade. Aqui em Pernambuco você tem como exemplo o Porto Digital, [que] é a universidade indo além de suas fronteiras. Tem o C.E.S.A.R., que é o pessoal do Centro de Informática da UFPE, que criou um ambiente que se transformou em um grande centro de negócio, um exemplo que o estado dá de como a ciência pode contribuir para o desenvolvimento e economia”, aponta Raupp. O Brasil, explica o ministro, vive um momento positivo para o desenvolvimento de ciência e inovação, com a criação de parceria de empresas e centros de pesquisas. “Nós estamos tendo investimentos significativos e planos que levam a ciência para além dos muros tradicionais que ela ocupava nas universidades. Nós temos um programa, ‘Inova empresa’, que aloca recurso na faixa de R$ 32 bilhões em dois anos, o que é algo significativo, sem precedentes. Nós temos que criar o círculo virtuoso, de forma que os cientistas contribuam para o desenvolvimento da sociedade e a sociedade contribua para o desenvolvimento da ciência”, afirma. Durante essa semana, o ministro vai estar despachando do gabinete montado dentro da SBPC. “É a oportunidade de estarmos mais perto da comunidade científica. Estamos com quase todos os secretários aqui, eles vão participar de palestras, mas também vão estar disponíveis para escutar ideias, propostas e também opiniões sobre o que está sendo apresentado por nós aqui na reunião”, avisou o ministro, durante sua fala na conferência. Apresentando o crescimento dos investimentos do MCTI na área de pesquisa, o ministro ressaltou a criação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceonográficas e Hidroviárias, que deve ser anunciado oficialmente nesta quarta-feira (23). “Já temos um navio de pesquisa de US$ 80 milhões em fase de compra, que deve estar aqui em setembro ou outubro do ano que vem. Estamos em plana parte de organização social”, adianta Raupp. A expectativa é que as universidades e centros de pesquisas da áreas façam parte do conselho administrativo do instituto. “Era uma necessidade que vem de longe. Nós queremos aglutinar e integrar esses esforços. Esse instituto vai ser estabelecido de forma que essas organizações influenciem na forma de trabalho, de pesquisa. O Inpho financiaria e organizaria esse tipo de trabalho, contemplando todos os interesses, financiando diretamente. Essas atividades são caras. O Ministério tem outros navios, mas esse vai ser o maior de todo.”, aponta Raupp A cooperação internacional também foi apontada como essencial para o avanço, buscando parcerias entre centros tecnológicos para avançar em áreas como tecnologia aeroespecial, nanotecnologia e nuclear. “Eu fui à Argentina, na semana passada, para discutir a cooperação internacional com o país. Tinham 50 projetos, minha decisão foi fazer 12 para valer, mais intensivamente. É preciso focar mais, ser mais efetivo para ter mais impacto no desenvolvimento”, explica o ministro. Os entraves para a base de lançamento de Alcântara, do ponto de vista econômico, foram vencidos, afirmou o ministro. “Metade é do governo brasileiro, metade do governo ucraniano. Conseguimos aprovar nossa parte no Ministério da Fazenda, para a construção e utilização comercial do centro de lançamento de Alcântara. Estamos desenvolvendo também um novo projeto de satélite de comunicação, que vai também ser uma plataforma do plano nacional de banda larga. Essa é uma rara oportunidade de associar plano estratégico com programa social”, conta o Raupp. Com R$ 850 milhões em investimentos, o reator multipropósito brasileiro, feito em parceria com a Argentina, também foi um dos destaques apontado pelo ministro. “É um reator cuja grande finalidade é aumentar nossa capacidade de produzir radioisótopos para aplicação médica. Todos são produzidos em uma farmácia nuclear existente no Ipen em São Paulo; isso vai nos dar capacidade de abastecer hospitais brasileiros e vender para outros países. Outro elemento importante é a criação de uma agência reguladora na área nuclear, já temos um projeto pré-aprovado”, afirma. Um dos caminhos para ter a ciência como norte no desenvolvimento do país, aponta Raupp, é a Empresa Brasileira de Inovação Industrial (Embrapii), recém-criada por portaria interministerial e em fase de estruturação ainda. “Ela vai participar, ser parceira nos riscos dos programas de inovação das empresas. A ideia é que ela faça para a tecnologia industrial o que a Embrapa fez para tecnologia agropecuária. A Embrapii é criada em um momento diferente. Ela não vai ter infraestrutura sob o comando direto dela, mas vai contratar, qualificar, credenciar laboratórios de universidades e institutos de pesquisa para promover a parceria deles com empresas”, explica. Na mesma linha, surge também o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (SisNANO), rede nacional que pretende unir laboratórios e centros de pesquisa da área. “Contamos com laboratórios no Brasil todo, coordenado pelo Laboratório Nacional de Nanotecnologia em Campinas. Temos todo um cronograma de financiamento, de cooperação internacional, vai financiar formação de recursos humanos em faculdades, em busca de inovação em materiais. Podemos assim ter troca de conhecimentos com a China, que também trabalha dessa forma em rede”, detalha o ministro. No caminho para minimizar as diferenças regionais, Raupp apontou o programa ‘Mais Ciência na Amazônia’, que deve estar formatado até setembro, em parceria com os estados com a região amazônica. “Devem ter programas que visem o desenvolvimento observando as necessidades da região. Estamos também vendo a possibilidade de algo assim para o semi-árido, mas ainda está muito no começo”. Apesar de todos os investimentos, Raupp lembrou que não adianta pensar apenas em laboratórios e grandes centros. “Precisamos sempre pensar em recursos humanos, não adianta se não tivermos cientistas. Para estabelecer ciência, tecnologia e inovação como paradigma de desenvolvimento, é preciso aumentar e qualificar a nossa rede. Nós queremos a melhor ciência comparada internacionalmente. Os melhores exemplos dos países que desenvolveram no mundo é que empresas também precisam fazer pesquisa”, lembra, destacando que tanto governo quanto iniciativa privada precisam assumir o caminho de investir para ter um desenvolvimento sustentável. A SBPC segue na Universidade Federal de Pernambuco até o dia 26 de julho. A programação completa pode ser conferida no site do evento. (Fonte: G1)

Bactérias e vírus ajudam a desvendar um dos segredos da evolução

A corrida armamentista entre um vírus e as bactérias que eles atacam tem ajudado os cientistas a entender melhor um dos mistérios da evolução: como novas características evoluem? Em uma série de experimentos, bactérias infectadas com vírus adquiriam repetidamente a capacidade de atacar seus hospedeiros através do receptor na membrana celular da bactéria, como explicou Justin Meyer, pesquisador-chefe e estudante de graduação na Universidade Estadual de Michigan, EUA. De acordo com a teoria da evolução, a seleção natural pode favorecer certos membros de uma população por causa das características que possuem, como camuflagem ou habilidade de conseguir certos alimentos. Esses organismos favorecidos são mais propensos a se reproduzirem, passando os genes com características úteis para as futuras gerações. Embora seja claro que a seleção natural faz com que uma população mude ou se adapte, não é fácil explicar como traços novos surgem. Por exemplo, mutações genéticas aleatórias se acumulam gradualmente até que elas produzam novas características? Ou será que a seleção natural conduz o processo desde o início, favorecendo certas mutações que possam surgir, até que um traço totalmente novo apareça? No novo estudo, pesquisadores fizeram com que um vírus desenvolvesse uma nova maneira de infectar as bactérias, e depois observaram as alterações genéticas associadas a essa nova habilidade. Eles também descobriram que as mudanças ocorridas nas bactérias podem impedir que o vírus adquira essa nova característica. Em 102 experimentos, eles combinaram células de E. coli com o vírus, chamado de lambda. Lambda normalmente infecta a bactéria a partir de um receptor chamado LamB, na membrana externa da bactéria. O vírus faz isso usando a proteína J, que fica no final de sua calda. Quando cultivadas sob certas condições, a maioria das células E. coli desenvolveu resistência ao vírus parando de desenvolver receptores LamB. Para infectar as células bacterianas, então, o vírus teve que encontrar outra entrada na célula. Uma vez dentro, o vírus sequestra a capacidade das células da bactéria de copiar e reproduzir o próprio código genético. Em 25 dos 102 testes, o vírus adquiriu a capacidade de infectar bactérias através de outro receptor, chamado OmpF. Os vírus eram geneticamente idênticos no início do experimento, então os pesquisadores analisaram quais alterações genéticas ocorreram. Eles descobriram que todas as cepas que podem infectar as bactérias compartilhavam pelo menos quatro mudanças, que estavam no código genético da proteína J e que trabalhavam juntas. “Quando você tem três das quatro mutações, o vírus ainda é incapaz de infectar a E. coli. Quando você tem quatro de quatro, todas elas interagem umas com as outras. Nesse caso, a soma é muito maior do que suas partes componentes”, explica Meyer. No entanto, a seleção natural parece ter impulsionado o surgimento de mutações individuais porque as mesmas mutações surgiram, e porque elas aparecem para afetar a função da proteína J. “As mutações são realmente centradas em uma pequena parte do gene que afetou a ligação”, disse Meywe. Então, por que, na maioria dos casos, os vírus não adquirem a capacidade de entrar pela porta OmpF? Os pesquisadores procuraram ver se outras mudanças no vírus ou na bactéria interfeririam nisso. Eles descobriram que, enquanto outras mudanças no vírus não parecem interferir, uma alteração específica encontrada nas populações de E. coli de 80 experimentos consegue causar uma mudança. Interrupções apareceram em genes de bactérias responsáveis pela produção de um complexo de proteínas, chamado ManXYZ, na membrana interna. Essa mudança na membrana interna significa que o vírus não poderia chegar até o interior da célula, seja a partir do LamB ou OmpF. “Então, há essa dança coevolucionária interessante”, disse Meyer. “Uma mutação no hospedeiro e quatro mutações no vírus pode levar a um novo vírus. Senão, todo o sistema é desligado”. [LiveScience)

Vírus recém-descobertos podem redefinir a vida como a conhecemos

Cientistas descobriram dois vírus que desafiam a classificação da vida. Maior e geneticamente mais complexos do que qualquer gênero viral conhecido pela ciência, os chamados “pandoravírus” podem reacender um debate de longa data sobre a classificação do que é considerado vida. Esse nome foi dado devido às surpresas que os seres podem ter reservado aos biólogos, em referência à figura mítica grega que abriu uma caixa e liberou o mal no mundo. Houve um tempo em que os cientistas consideravam os vírus seres muito pequenos e simples. Até que sugiu o “mimivírus”, descoberto em 1992. À época, se tratava, de longe, do maior e mais complexo vírus já encontrado pelos cientistas. Com 600 nanômetros de diâmetro (dimensão comparável em tamanho a algumas bactérias) e com um genoma de cerca de mil genes, o mimivírus em muitos aspectos possuía maior semelhança com uma bactéria parasita do que com um vírus. Em comparação, o HIV mede apenas 120 nanômetros de diâmetro e contém um total de apenas nove genes. O nome “mimivírus” vem da abreviatura em inglês de “vírus imitando (mimicking) micróbio”. Uma vasta lista de outros vírus de grande porte têm sido descobertos desde então – o mamavírus, por exemplo, e o apropriadamente chamado megavírus. Nesta quinta-feira (18), no entanto, pesquisadores da Universidade de Aix-Marselha, liderados pelos biólogos Jean-Michel Claverie e Chantal Abergel (que ajudou a revelar o mimivírus) anunciaram uma descoberta ainda mais surpreendente. Trata-se do pandoravírus, recolhido na lama de águas costeiras de Melbourne, na Austrália, e da região central do Chile, que é duas vezes maior do que qualquer outro vírus conhecido pela ciência. Cada um deles possui cerca de 2.500 genes, 2.300 dos quais inteiramente novos para a biologia. Pandoravírus, em outras palavras, não são apenas enormes, também são inconfundivelmente diferentes de qualquer vírus conhecido na terra – incluindo outros vírus gigantes. O fato de esses pandoravírus serem tão geneticamente únicos (sem contar que eles foram coletados em continentes completamente diferentes) sugere que os gêneros virais gigantes podem ser mais comuns do que se acreditava anteriormente. Além disso, os vírus recém-descobertos ainda levantam questões interessantes sobre as fronteiras entre as células vivas e os vírus inanimados. A equipe também realizou vários experimentos para confirmar se os pandoravírus eram realmente vírus. Usando microscópios de luz e eletrônicos, os cientistas acompanharam um ciclo de replicação completa dos seres recém-descobertos. Eles identificaram, com isso, os três critérios fundamentais para classificá-los como vírus. Eis uma brincadeira divertida para se jogar na próxima vez que você encontrar seus primos biólogos. Primeiro, aguarde uma pausa na conversa. Em seguida, mexa-se despretensiosamente em sua cadeira e casualmente pergunte se os vírus são seres vivos. Muito bem! Você acaba de alimentar as chamas do debate que os profissionais da área têm travado por cerca de um século. Sente-se e desfrute. De preferência, com um pouco de pipoca. O recém-descoberto pandoravírus pode aumentar esse debate. “Primeiro vistos como veneno, depois como formas de vida e então como produtos químicos biológicos, os vírus hoje estão em uma área cinzenta entre os seres vivos e não vivos”, escreve o biólogo molecular Luis Villarreal em artigo para a revista Scientific American. “Eles não podem se reproduzir por conta própria, mas podem fazê-lo em células verdadeiramente vivas e também podem afetar o comportamento de seus hospedeiros profundamente”. A ambiguidade decorre, em grande parte, de natureza paradoxal do vírus. Por um lado, eles possuem muitas características que nós associamos com a vida, como a presença de DNA e RNA e a capacidade de evoluir. Eles também são capazes de tomarem para si a estrutura celular de seus hospedeiros, que eles exploram para se reproduzir, se espalhar e infectar, às vezes, com eficiência letal. É uma façanha impressionante e assustadora, especialmente para algo que não tem a capacidade de produzir suas próprias proteínas. Além disso, eles são seres bastante pequenos, fisicamente, pensavam os cientistas, e seus genomas são minúsculos. Eles não têm parede celular e nem sequer passam por processos metabólicos. São razões como essas que fizeram a participação dos vírus ser negada na grande árvore da vida. Dez anos atrás, no entanto, a descoberta acidental do mimivírus forçou muitos cientistas a reconsiderar a qualificação do que é vida. Os pandoravírus, com seu tamanho desmedido e composição genômica sem precedentes, dão ainda mais razões para que os cientistas repensem essa classificação. “Uma vez que mais de 93% dos genes dos pandoravírus não remetem a nenhum ser conhecido”, escrevem os pesquisadores na última edição da revista Science, “a sua origem não pode ser rastreada a qualquer linhagem celular conhecida”. No entanto, eles ponderam, o seu DNA polimerase se assemelha ao de outros vírus gigantes, sugerindo a existência de um controverso quarto domínio da vida”. Ou seja, eles podem “inaugurar” um ramo até então desconhecido da vida, que é diferente dos aceitos três domínios: Eubacteria (que compreende as bactérias), Archaea (que inclui os procariontes que não se encaixam na classificação anterior), e Eukaria (que inclui todos os eucariontes, os seres vivos com um núcleo celular organizado como nós, os animais e as plantas). [Io9] http://hypescience.com/